O ano era 1924. A energia elétrica havia começado a chegar a residências, áreas públicas e indústrias apenas dez anos atrás, em um esforço de modernização do governo do Estado de Pernambuco, sob o comando de Emídio Dantas Barreto.

Estamos no segundo ano da administração de Sérgio Loreto, o Quartel do Derby acabara de ser inaugurado.

5 fatos incríveis que fazem parte da história do Derby ?

Para marcar os dois anos do mandato de Loreto e também o centenário da Confederação do Equador (movimento revolucionário surgido depois da Revolução Pernambucana e que visava formar um governo independente do governo central imperial), organizou-se a Exposição Geral de Pernambuco, uma grande feira com expositores de todo o Estado. De automóveis a um inhame de 22 quilos, tinha de tudo na maior vitrine em linha reta que estas paragens já viram.

A cidade, já nos dias anteriores à inauguração da exposição, já estava agitada. O Jornal do Commercio falava em “crescente movimento de curiosidade”, em “formigamento humano” – ainda antes de ser oficialmente aberta. Em 28 dias de feira, circularam por lá 140 mil pessoas!

O furdúncio se justificava: apenas dez anos após o início da popularização da energia elétrica, 200 lâmpadas iluminavam o prédio de dimensões colossais. Estavam em exposição produtos industriais, agrícolas, animais, automóveis (cuja frota, dois anos depois, já alcançava o surpreendente número de 1.431 veículos circulando só no Recife).

Estavam em mostra máquinas industriais de última geração, mas também bordados e crochês e animais exóticos: duas onças e até uma cobra de duas cabeças estavam entre as atrações.

Pernambuco na vitrine

Diversões modernas e movidas à eletricidade, como cinema, roda-gigante e diversos outros brinquedos (veja vídeo abaixo) disputavam a preferência de uma população que estava lá para se divertir, mas também para se orgulhar de si mesma.

As exposições universais eram moda, desde fins do século 19, do outro lado do Oceano Atlântico, na Europa, e chegou a Pernambuco pela vontade do governador.

O jornal A Notícia celebrava: “Progredimos vertiginosamente, de maneira mais real e viva. Os que têm por mau hábito duvidar do nosso êxito, alegando até – Santo Deus! – razões étnicas e climatológicas, estarão agora decerto confundidos, envergonhados do seu julgamento apressado e leviano”.

A coisa toda ia além das efemérides comemorativas. A Exposição Geral era também uma demonstração de força e orgulho tipicamente pernambucanos. Já naquela época, o Sudeste do Brasil olhava com diferença os povos do Nordeste.

Apesar da vitrine de modernidade, Pernambuco ainda levaria anos para resolver certos problemas urbanos e outros nunca foram totalmente solucionados.