O Derby, esse bairro central do Recife, que faz limite com a Zona Norte, pelo lado das Graças, e a Zona Oeste, atravessando a ponte em direção à Madalena e à Torre e dividindo a Agamenon Magalhães com a Ilha do Retiro, já foi palco de diversas histórias que marcaram o Recife, em diversas épocas.

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1. Em 1888, a Sociedade Hípica Derby Club construiu uma pista de corrida de cavalos no bairro, que até então se chamava Estância. O fato foi tão importante que mudou-se o nome do bairro para Derby, como pode ser chamada “corrida de cavalos” em inglês. A fina nata da aristocracia recifense não só frequentava as corridas, como morava no bairro.

2. Também no finzinho do século XIX, o Derby virou um complexo hoteleiro que não fazia feio diante dos maiores hotéis do mundo com cassino, parque de diversões, velódromo, que é uma pista de velocidade para bicicletas, e um mercado de tamanho colossal, que funcionava onde hoje é o quartel do Derby.

O idealizador de tamanha modernidade foi o empreendedor cearense Delmiro Gouveia. Foi inaugurado em 1899 junto com o Mercado Modelo e se chamava o Grande Hotel Internacional, ou Pensão do Derby.

O sonho acabou no ano seguinte, quando o prédio comercial foi incendiado. O algoz? O arqui-inimigo político de Delmiro Gouveia, que você já ouviu muito falar, o Conselheiro Rosa e Silva, que virou até nome de avenida, não muito longe dali.

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

3. A Praça do Derby faria parte do complexo hoteleiro – e megalomaníaco – de Delmiro Gouveia (o empreendimento também incluía áreas das Graças, como a Praça do Entroncamento!), mas só saiu do papel em 1925, no governo de Sérgio Loreto.

Dez anos depois, o paisagista Burle Marx seria o responsável pelo projeto de reforma da praça, com bastante vegetação – sua marca registrada. Ele trouxe palmeiras direto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro!

Quem passa por lá hoje talvez não consiga imaginar um tempo mais feliz para ela, mas a Praça do Derby já viveu dias de glória, sim, e é tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

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4. No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, o Derby mostrou mais uma vez a sua capacidade de se reinventar – e surpreender os recifenses. Virou point do automobilismo pernambucano, com pilotos que corriam profissionalmente e até se destacavam no cenário nacional. Não durou muito, mas atraía multidões atrás de alguma diversão.

5. Nos anos 1970 e 1980, não era muito disseminada a cultura de defesa dos animais. Famílias inteiras podiam ser vistas nos domingos à tarde visitando a peixe-boi Xica na Praça do Derby.

Ela vivia num tanque de concreto bastante pequeno e raso para um animal que deveria viver solto na natureza.

Xica ainda resistiu por 22 anos no tanque e, no início dos anos 1990, “se mudou” para o Centro de Mamíferos Aquáticos de Itamaracá. Xica morreu em 2015, aos 52 anos, marca incrível para um animal que sofreu maus-tratos.

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