Luiza Dantas é psicóloga e acaba de se mudar pras Graças. Depois de se instalar em sua nova casa, chegara a hora de se livrar das “caixas, plástico, isopor, plástico bolha, todas essas coisas de mudança” e de arranjar uma solução pra tudo isso. “Pra mim, o bairro das Graças dá a sensação quase de uma vila, tem tudo perto, padaria, farmácia, frutaria, café, tudo em um quarteirão. E fica a 15 minutos de qualquer lugar da cidade, super central”.

É, pode ficar a 15 minutos de qualquer lugar, mas Luiza se sentia cada vez mais longe de resolver um problema:  o que fazer com o lixo reciclável?

Foi perguntar pra zeladora como é que fazia com o material. “Lixo reciclável aqui a gente não separa. Mas tem dois apartamentos que separam o lixo deles e passa um rapaz pra recolher”, foi o que disse a funcionária. Luiza avisou então aos porteiros para comunicá-la quando esse homem passasse por lá, mas ele nunca apareceu.

“Aí eu descobri, até pelo PorAqui, a Associação por Amor às Graças. Entrei no grupo e deixei uma publicação lá perguntando como os moradores faziam com o lixo reciclável. Muita gente comentou, dizendo que também queria saber.”

                         Luiza pediu ajuda nas redes sociais. (Foto: Luiza Dantas/Colaboração)

Ninguém atende

Luiza conta que uma pessoa passou o contato da Emlurb, o número 156. “Eu liguei quatro vezes e ninguém atendeu”, diz. Foi aí que descobriu um aplicativo chamava Relix que parecia salvador, com o contato das cooperativas de catadores.

“Liguei pra três, não consegui falar com ninguém. E eu relutando em ter que levar meu lixo em algum ponto de coleta. Porque, como eu não tenho carro e era muita coisa, queria conseguir que alguém fosse buscar lá. Eu queria ser incluída numa rota de coleta. Aí uma moradora me enviou o contato desse suposto catador que passava no prédio dela. Eu liguei e descobri que o número era da Emlurb”, conta Luiza, que tem medo que tantos empecilhos acabem desestimulando pessoas que queiram reciclar.

Enchendo o saco

Segundo informações que passaram pra ela na Emlurb, o cadastro do edifício só poderia ser feito pelo síndico do prédio. Mais uma bola na trave!

O processo foi tão longo, que ela acabou levando para uma cooperativa de Casa Amarela. “Acabou que nem falei com a síndica ainda. Estou separando o lixo aqui e, quando encher meus sacos, eu vejo o que faço de novo. Cansei dessa história um pouquinho.” O trocadilho é livre! ?

Resumo da ópera

Sobre a saga, ela resume com uma crítica ao sistema de coleta de lixo do Recife, que é questionável para muita gente. “Tentei a página da Emlurb, mas o calendário de coletas não está disponível.  Liguei pro telefone da Emlurb, ninguém atende. O telefone que eu consegui contato, foi alguém que me deu, não está disponível no site. Eu achei isso super difícil, sabe? Por que não é mais fácil você reciclar o seu lixo?”, reclama.

Pra ela, a questão da confiança passou longe. “As pessoas não confiam. O poder público não faz de uma forma transparente. Ninguém sabe pra onde esse lixo vai.  Realmente, é preciso muita vontade.”

Procurada pela reportagem do PorAqui, a Emlurb explicou, através de nota, como proceder:

“A Coleta Seletiva é feita no setor onde está o bairro das Graças às terças e quartas, no período diurno. O cidadão precisa solicitar e aderir à coleta entrando em contato com a Emlurb por meio do site ecorecife.recife.pe.gov.br ou ainda ligando para o 156. Também pode se informar pelos telefones (081) 3355-1024 e (081) 3355-1056.”

Para Luiza, não foi tão simples assim. E você, como faz pra reciclar seu lixo? Conta pra gente pelo e-mail gracas@poraqui.news.