O ar e o sopro batendo nos poros, nos cabelos, arrastando as folhas secas caídas no chão, a sábia natureza e sua renovação, o ar fazendo redemoinhos onde antes só havia terra e construindo outras paisagens, os elementos que se misturam.

Resfria o que antes era calor, quentura, mormaço tão comuns à tropicalidade do nosso lugar que recebe a brisa do mar e do rio. As correntes aéreas circulando pelas ruas da cidade, chegando aos bairros, entrando pelas janelas e portas, sejam bem-vindas amadas, venham,  daqui a pouco é agosto, o conhecido mês dos ventos nessa terra, por todos, das agências meteorológicas com as previsões de tempo às vizinhas da rua que desde cedo, aprenderam que esse é o tempo das ventanias, que vá tudo o que precisa ir embora.

A rua que te abraça

Vem junto o movimento na circulação do ar, é o novo entrando nos pulmões, novas formas de ser pedem passagem, o tempo do respiro é a parada, sentir as narinas e entrar em si.

Vento é estudado nos bancos de faculdade, na geografia, na arquitetura, na biologia, item que comparece no mercado imobiliário, apartamento ventilado é sinônimo de zeros a mais no valor de compra, traz tranquilidade e dias mais amenos, avisam os anúncios nos jornais e propagandas.

E se você passa por uma rua que tem vento no nome, sentada em um batente de uma das casas, começa a sentir o fluxo e o corpo esfriar. É um presente, principalmente se for após uma caminhada, um carinho da natureza, seja grato. Esse lugar existe nas Graças, estampado no poste, alguém passou por aqui, viu e deleitou-se com o frescor, então quis poetizar, aliás tenho encontrado muitos postes literários nesse canto do mundo que habitamos, com plantas, dizeres e avisos. Letras e vida penduradas no concreto alegram os dias e colorem as horas, inauguram novas formas de perceber.

A confluência de várias ruas fez nascer a dos Ventos, onde a brisa sopra nas esquinas e faz morada nas calçadas, um bom canto sempre que quiser um encontro com o ar e você sabe onde fica?

Raiza Figuerêdo chegou ao mundo no verão de 1989, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Nas curvas da estrada, foi descobrindo seus vários eus: escritora, psicóloga, cientista, professora e ainda outros. Tem buscado treinar o olhar para enxergar as pequenas grandes coisas do cotidiano, que coloca no ar em seu site e no canal “Enquanto Caminho”, no PorAqui. Mora nas Graças.

 

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