Amizade é laço que afrouxa e aperta de um jeito bom, faz nascer abraço que é contato, corpo a corpo e aconchego, feito o lar de cada um, onde voltamos sempre aos finais, de um dia de trabalho, das viagens e de uma festa.

Um pequeno lugar no mundo para chamar de seu. Teu canto, onde moram as intimidades, as paredes conhecem as coisas estranhas que você faz quando está sozinho, na companhia apenas do som da sua respiração. Espaço afetivo, lugar de sonhos, histórias e desejos.

Você também pode se sentir acolhido por uma rua, cheia de árvores, um corredor verde no meio da cidade, fazendo sombra enquanto você caminha, de vez em quando uma folha cai, juntando-se às outras que já fazem morada nas calçadas, depois serão recolhidas pelos zeladores, garis, pisoteadas por você e por mim.

O pequeno jardim vertical (Foto: Raiza Figueirêdo/Colaboração)

 

A avenida na qual desemboca a rua é movimentada, carros enfileirados, fumaça, congestionamento em várias horas do dia, mas ao pisar nesse trecho uma atmosfera de paz invade a estrada e o barulho fica para trás, vem a natureza que mora nas varandas e as orquídeas nos muros dos prédios.

Postes se transformam em jardim verticais, essa grata surpresa cruzou meu caminho há alguns dias. Poetizar a via urbana e fazer crescer a sensação de acolhimento, foi o que senti. Na volta do trabalho, na sexta-feira que faz brotar o fim de semana, as pupilas veem pequenos jarros amarrados no concreto, o verde colore o que antes era cinza, vidro e fios, era apenas mais um número na rede de iluminação pública e ao final do mês todos pagamos a conta por ela. Depois das plantas é mais que isso. É vida – e leve.

Casarões antigos, alguns lembram chácaras, casas misteriosas com ar de penumbra e segredo, padarias, bodegas, restaurantes, gente, seres de quatro patas e outros que voam compõem o cenário local. Uma aura tranquila contagia e ao dar alguns passos, os azulejos te mostram o nome desse lugar.  Você está na rua da Amizade que já é poesia no nome.

 

Raiza chegou ao mundo no verão de 1989, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Nas curvas da estrada, foi descobrindo seus vários eus: escritora, psicóloga, cientista, professora e ainda outros. Tem buscado treinar o olhar para enxergar as pequenas grandes coisas do cotidiano, que coloca no ar em seu site. Mora nas Graças.

 

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