Por Carol Arruda*

Aprendemos, em arquitetura e urbanismo, que as pessoas são os olhos da rua! Isso se comprovou nos questionários que aplicamos na Rua Abelardo, no bairro das Graças, na Zona Norte, para minha pesquisa e que rendeu a ação chamada Se essa rua fosse minha, que acontece neste sábado (4). Clique aqui para saber mais.

Perguntamos em qual trecho da rua o morador sente mais medo, e a maioria apontou para a área com muros mais altos, onde não há comunicação de fora pra dentro (privado/público). São também os lugares menos atrativos, que ficam, portanto, mais vazios.

As medidas de segurança apontadas na reunião realizada pelos moradores da rua (câmera, vigia, apito) são, para a gente, uma tentativa de "artificializar" as pessoas. As câmeras não são tão eficazes quanto nossos próprios olhos! O vigia é a presença humana que sentimos falta nas ruas! O apito é o barulho para anunciar que tem alguém ali!

Em minha pesquisa, que comecei na Escola de Arquitetura de Toulouse, na França, no ano passado, em intercâmbio, trago, para a arquitetura, o pensamento do francês Michel Serres, que nos mostra que humanos naturalmente POLUEM para se apropriar de algo. 

Para trazer para o concreto, fácil: se você cospe na sua sopa, mais ninguém vai tomá-la! Ela agora é sua! Da mesma forma, quando o pipoqueiro anuncia "olha a pipoca", na rua, ele se apropriou do seu ouvido naquele momento, se sobrepondo aos outros sons. E por aí vai…

A nossa ideia é, então, poluir de arte a Rua Abelardo! Mostrar aos infratores que estavam roubando e assaltando aquela rua deserta que ela tem dono sim!   Essa rua é nossa e não deles! Não achamos que se trancar em casa é a solução. Pelo contrário, é sair e resgatar o NOSSO espaço público.

*Carol Arruda é estudante de arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e uma das idealizadoras do projeto "Se essa rua fosse minha".

VEJA MAIS: Projeto convida moradores a ocuparem a rua com arte, música e oficinas


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