Os lugares escrevem histórias em nós, cada rua e esquina percorrida não é apenas um número, logradouro ou código de endereçamento postal, mas é  o afeto associado aquele canto do mundo que remete à fase da vida que estamos, às histórias que vivemos e os sonhos que alimentamos.

Nos lugares habitam sabores e aromas,  passar pela calçada e sentir o cheiro de pão saído do forno, depois chegar até o balcão, escolher quais levar, por na sacola, de preferência se for de papel, daqueles cor marrom, sentir a quentura do pão nas mãos e o aroma ainda mais perto das narinas. Esses pequenos gestos compõem a cartografia do pão diário e dar-se conta de cada uma dessas ações é estar atento. Afinal de contas, ir à padaria é um ato poético e, se for no início do dia ou final da tarde, reveste-se do ar da aurora e do cantar de pássaros do crepúsculo.

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Viagens

Os lugares também  guardam semelhanças e os países nos quais se localizam, assim como nós, também têm vizinhos, não são de corredor ou de rua, mas de fronteira, limite geográfico. Viajar  para esses locais  evoca nossas memórias.

E por falar em padarias e viagens, esse pedaço do mundo chamado Graças tem muitas, assim como uma vizinha do Brasil, a Argentina, mas lá se chama panadería, algumas também são confitería, com muitas tortas e bolos nas vitrines, apelo aos olhos e às barrigas.

Cafeterias também são personagens “graciosos” desse lugar que habitamos, o cheiro dos grãos, as diferentes formas de preparo e a forma de apresentação: xícara, caneca e copo compõem as artes dos grãos.

Nas terras portenhas há muitos cafés, praticamente um em cada esquina de Buenos Aires e cachorros por todos os lados, em parques, avenidas, ruas e apartamentos. Passeadores de cães e adestradores são vistos constantemente, alguns andam com dez, quinze animais, os cachorros também fazem parte da identidade visual das Graças e trazem leveza aos dias.

Pães, cafés e a companhia canina em Recife ou em qualquer  parte do mundo deixam o dia mais feliz. E viagens escrevem (em) você: o livro da vida. Na bagagem, leve o que te faz cafuné, eu trouxe na minha essas memórias  recém-nascidas nas terras portenhas.

Raiza Figuerêdo chegou ao mundo no verão de 1989, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Nas curvas da estrada, foi descobrindo seus vários eus: escritora, psicóloga, cientista, professora e ainda outros. Tem buscado treinar o olhar para enxergar as pequenas grandes coisas do cotidiano, que coloca no ar em seu site e no canal que mantém no PorAqui, ‘Caminho’. Mora nas Graças.

 

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