Meus dias andam cada vez mais bagunçados. Entre aulas, mestrado, mais aulas, eu vejo meu tempo ir embora. Minhas caminhadas diminuíram. Meus caminhos ficaram mais curtos.

No entremeio entre uma aula do mestrado e uma aula para dar, eu conseguir chamar o namorado e ir até a Pão de Padaria (melhor almoço das Graças!), pra depois eu seguir para Boa Viagem, onde eu dou aula.

Os espaços incompletos de toda cidade: eu os vejo

Entre pegar o elevador e descer os seis andares, atravessar a rua, pegar o Uber… aconteceu.

O apagão.

O sentimento de surpresa/meu Deus, o que está acontecendo juntou-se ao sentimento de “como a gente não ficou preso no elevador?”.

O trânsito caótico estava ainda mais caótico. A falta de sinalização dava tudo um clima de terra sem lei, bárbaros dentro de carros.

A energia havia voltado e eu fiquei presa em Boa Viagem por cerca de duas horas e meia. O motorista do ônibus desceu para conversar com um garçom de um restaurante. As pessoas iam andando até a Agamenon como uma grande procissão. E eu só pensava em como diaxo eu chegaria às 19:30 na Madalena, onde eu ia dar aula.

O caos se manteve. Desci no Derby. Andei. Andei. Andei. E o caos tinha se dissipado. Quanto mais perto eu chegava na minha casa, mais silêncio ao meu redor. Mais paz. Mais certeza de que fiz a escolha mais certa de sair da Zona Sul e encontrar meu espaço aqui.

E que essa paz se mantenha. Só que dessa vez sem apagão.

Obs.: Eu consegui chegar na Madalena? Sim. De 20:20. Quase uma hora depois.

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.

 

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