Uma denúncia feita nas redes sociais dá um novo capítulo para a  história das casas modernistas da Av. Rosa e Silva, nas Graças, Zona Norte do Recife. Elas estão sendo depredadas enquanto a Justiça obriga o proprietário a recuperar o imóvel imediatamente. Mas o que vem acontecendo é o oposto.

Há cerca de três semanas, o curador de arte Moacir dos Anjos esteve em um ferro velho em Olinda.  O relato está no Facebook da jornalista Fabiana Moraes, companheira de Moacir. Nele, ela conta que estão sendo vendidas supostas partes das casas modernistas, que podem ser comparadas com fotos antigas do local. Veja abaixo o relato da jornalista, cedido gentilmente ao PorAqui:

O passado está à venda na Rosa e Silva

Portas de armários, janelas e grades das casas modernistas da Av. Rosa e Silva (números 625 e 639) estão sendo vendidas em um ferro velho/antiquário na Região Metropolitana da Cidade.

Há alguns dias, Moacir se deparou com parte das habitações (classificadas como imóveis especiais de preservação pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano, decreto 28.823/2015) e registrou. 

Fiação, interruptores e mesmo os tacos dos pisos também já foram levados das casas localizadas nas Graças.

Portas de armários foram reconhecidas como sendo das casas modernistas. (Fotos: Moacir dos Anjos)

 Esse é apenas o processo final e simbólico da venda da memória da cidade. Carroceiros e dono do estabelecimento são as pessoas mais facilmente “culpáveis” nesse processo, quando, na verdade, o ônus é primeiro da Prefeitura do Recife (Procuradoria Geral do Município e Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural), que não tomou atitudes para que esse desmonte chegasse ao fim.

É só comparar: grade é igual à da janela da casa.

Isso apesar de, desde 19 de setembro deste ano, a Justiça ter determinado a recuperação das casas, com multa diária de R$ 2 mil caso a ordem não fosse cumprida em até 30 dias. Resta saber porque a ordem do juiz Haroldo Carneiro Leão (que mandou recuperar o imóvel 625) está sendo ignorada pela gestão municipal sob o comando de Geraldo Julio.