Por Paula Melo, do PorAqui
Colaboraram Luciana Veras e Marina Sobral

Nesta sexta-feira (31), a partir das 15h, na Praça da Independência, também conhecida como Praça do Diario, um movimento nacional de paralisação contra os recentes atos do governo tomará forma também no Recife. Até a tarde desta quinta-feira (30), véspera da mobilização, pelo menos cinco escolas do Recife e de Jaboatão dos Guararapes e um espaço educativo se posicionaram diante do ato.

Instituto Capibaribe, Escola Encontro e Espaço Capivara – estes três nas Graças -, Escola Arco-Íris (Várzea), Escola Parque (Piedade) e Escola Apoio (Casa Amarela) decidiram não dar expediente na sexta e liberar alunos e professores.

O ato público reunirá setores da sociedade insatisfeitos com projetos do governo Temer, que, na visão dos cidadãos participantes, preveem a retirada de direitos, a exemplo das reformas da Previdência e Trabalhista e projeto de lei da terceirização ilimitada. 

Movimentos sociais e participantes acreditam que tais medidas colocam em risco salários, aposentadorias e outras questões relativas à seguridade social.

O PorAqui conversou com as diretoras do Capibaribe e Encontro, que explicaram o posicionamento das escolas diante da paralisação nacional. Até o fechamento desta reportagem, o PorAqui não obteve resposta do Espaço Capivara.

Segundo a coordenadora da Escola Encontro, Joana Prestrelo, a direção do colégio hesitou se deveria ou não parar as atividades nesta sexta. 

"A gente compreende a dinâmica da vida dos pais, mas temos um compromisso de formação cidadã. A gente acha que é importante se posicionar na questão dos direitos, tem que discutir as reformas que mexem com os direitos adquiridos do trabalhador", afirma.

Outro ponto levado em conta para que a Encontro cancelasse as aulas foi a questão da segurança e do deslocamento dos funcionários e famílias durante todo o dia.

Para Mônica Melo, diretora do Instituto Capibaribe, aderir a um movimento como esse faz parte de uma tríade importante para a escola: "desenvolver, compreender e atuar na realidade". 

"Nós compreendemos que educação não é apenas desenvolver conhecimento. É formação para a vida, para a cidadania. Como instituição que educa, com vistas a uma sociedade mais justa e democrática diante da perda de direitos, nós não concordamos com o que vem sendo feito pelo atual governo", diz ela, que reforça o caráter apartidário da escola.

“De acordo com a compreensão dos alunos, a gente conversa. Já viemos conversando nas aulas de História e Atualidades, mas não fazemos catequese ideológica. Nosso objetivo é conhecer a realidade: o que está posto e o que está por trás", fala Mônica, que está no cargo há 16 anos.

A decisão de aderir à paralisação veio depois de uma consulta a professores, membros da coordenação e funcionários. Na sexta pela manhã, dia da manifestação, todos os funcionários se reunirão na escola para uma roda de conversa sobre as reformas em questão e os direitos dos trabalhadores. Para isso, foi convidado um dos pais que é ativista de direitos humanos. 

“É o momento de atender ao chamado. A sociedade inteira está ameaçada. Cada professor está livre para participar ou não da manifestação", acredita. “Faz parte da mobilização compreender”, diz Mônica. “Acreditamos  numa atitude cidadã, apartidária, como povo brasileiro que somos, que está com seus direitos ameaçados.

O Espaço Capivara, que recebe crianças no contraturno, também decidiu paralisar as atividades.

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