Natal é tempo de celebrar o nascimento do messias. Falando em nascimento, neste ano, comecei a ser pai. Digo isso porque a paternidade é como catinga de furico, não acaba. Voltando ao Senhor, não sei como Deus se sentiu quando olhou para o menino Jesus. Será que ficou procurando semelhanças? Chorou? Teve uma crise de risos e quis abraçar todo o mundo? Passou mal quando viu aquele sangue todo?

Também fico imaginando Maria, a mãe do filho de Deus, em trabalho de parto. Nem doula a bichinha tinha. E olhe que foi um parto “domiciliar”. Coitado de José, então. Meio deslocado, sem saber o que falar ou fazer. Tentando ajudar sem parecer muito desrespeitoso, afinal, não havia a menor probabilidade de intercorrências no nascimento daquele que veio para redimir os nossos pecados, embora os meus eu prefira resolver diretamente com o Criador. Simples e objetivo.

Simples D.C.

Simplicidade, inclusive, é a palavra perfeita para descrever esse pequeno acontecimento que apenas mudou a história da humanidade nos últimos dois mil e dezessete anos. Nada de lembrancinhas do tipo cupcake (bolo de bacia com cobertura), colônia de bebês ou sacolinha com miudezas para os convidados, que eram reis, diga-se de passagem.

Nada de fotógrafo/a profissional, maquiagem ou cesárea pré-programada para não atrapalhar a viagem de fim de ano do obstetra. Tudo como a natureza, em sua perfeição divina, concebeu.

O milagre da vida. Todos os dias, nós deveríamos celebrá-lo como o nosso Natal particular. Somos tão filhos de Deus quanto o Cristo, embora ele se assemelhe com aquele irmão mais velho que já passou em concurso, comprou um apartamento em Casa Forte e viaja todo ano para a Europa, enquanto a gente está perdido na faculdade, sem a mínina ideia do que fazer da vida.

Desejo, portanto, às duas pessoas que ainda leem está coluna um feliz Natal e que a gente aprenda a amar o próximo como a nós mesmos. A não ser que você seja como eu, que tenha baixa autoestima. Se for, faça um filho e o ame com tamanha força ao ponto de fazer dele um ser humano que possa mudar o mundo. Do mesmo jeito que ocorreu há dois mil e dezessete anos…

 

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.

 

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