Um palanque montando no final da Rua das Pernambucanas, na manhã da quarta-feira (31), indicava que alguma coisa importante aconteceria ali. O céu dera uma trégua. Junho amanhecera ensolarado. Um bom sinal, aparentemente.

A quinta-feira (1) entraria para a história do bairro das Graças. O prefeito Geraldo Julio assinava, ali, na frente de todos, a ordem de serviço da obra da segunda etapa do Parque Capibaribe – Caminho das Capivaras, que teria início naquele dia mesmo.

Os moradores da localidade, principalmente os integrantes da Associação por Amor às Graças, não conseguiam esconder a felicidade. Não havia dúvidas –  até o prefeito reconheceria em sua fala – eles eram os responsáveis por tornar o projeto mais humano.

A obra, que tem prazo de execução de 18 meses, trará para o bairro das Graças uma faixa única para carros, compartilhada com bicicletas, nos trechos da Ponte da Capunga até a Rua Dom Sebastião Leme e da Rua Manoel de Almeida em direção à Ponte da Torre.

Também haverá  passarelas sob as pontes, um mirante na Rua Dom Sebastião Leme e dois píeres para embarcações.

É exatamente neste ponto que dá para vislumbrar a importância histórica da atuação da Associação por Amor às Graças diante do projeto. Inicialmente, estava prevista a construção de uma via expressa (ou uma highway, como falou o próprio prefeito no vídeo:

 A associação de moradores se organizou, bateu pé e o resultado, pelo menos no papel, já que as obras estão apenas começando, é que o Parque Capibaribe vai ser, antes de tudo, uma área de lazer e convivência para a comunidade.

Integrantes da Associação por Amor às Graças comemoram vitória na mudança do projeto do Parque Capibaribe (Foto: Aurellina Moura/colaboração)

A mobilização surtiu efeito. O projeto não só foi modificado, como também a prefeitura decidiu começar as obras por aqui (o Parque Capibaribe vai ligar a Várzea ao centro da cidade).

Palanque 

No ato desta quinta, estavam presentes o prefeito Geraldo Julio, o vice-prefeito, Luciano Siqueira, a ex-secretária de meio ambiente da cidade do Recife Cida Pedrosa (segundo integrantes da associação, figura chave dentro da Prefeitura para mudança do projeto), o secretário de mobilidade e controle urbano, João Braga, o secretário de desenvolvimento sustentável e meio ambiente, Bruno Schwambach e o secretário de infraestrutura e habitação, Roberto Gusmão, entre outros.

Para Fernanda Costa, integrante da Associação por Amor às Graças, o discurso do prefeito deixou claro que a luta da Associação foi fundamental. “Ele falou do papel da associação e como é importante a população se organizar para cobrar seus direitos.”

A presidente da associação, Lúcia Moura, estava visivelmente emocionada. Segundo ela, a associação vai participar de reuniões semanais, no canteiro de obras, para acompanhar de perto a execução dos serviços.

Uma de suas maiores preocupações, agora, é com os moradores de rua que vivem perto do rio e outros residentes do bairro que não concordam com o projeto.

Lúcia ainda aproveitou a presença do prefeito para entregar uma carta elaborada por integrantes da Associação por Amor às Graças, solicitando novos posicionamentos da prefeitura na questão das podas de árvores que vem acontecendo no bairro. Você pode ler o documento, clicando em Arborização nas Graças 2017.

Conforme informações repassadas por Fernanda Costa, as reuniões com a URB serão às terças-feiras, no canteiro de obras, a partir das 13h.

Com um investimento total de R$ 26.574.446,75 e recursos que chegaram através de financiamento da Caixa Econômica Federal e Ministério das Cidades, a obra está na alçada da Prefeitura do Recife, através da Autarquia de Urbanização do Recife (Urb).

Foto: Prefeitura do Recife/divulgação
Foto: Prefeitura do Recife/divulgação

Colaborou: Fernanda Costa, da Associação por Amor às Graças