Descolado, central e movimentado. Perto da escola dos meninos, tranquilo e tem tudo perto. Ideal para idosos, comercial na medida e essencialmente residencial. Quem mora nas Graças sabe que o bairro é versátil e agrada a todos os públicos. Mas você já imaginou que seria um point de artistas? 

Pois é, muita gente com quem você cruza na padaria tem um trabalho para lá de interessante e você nem faz ideia de que são seus vizinhos. O PorAqui conversou com alguns deles e também lembrou de dois escritores famosos que trazem as Graças, com o perdão do trocadilho, marcada na certidão de nascimento: Manuel Bandeira, que veio ao mundo em 1856, na Rua Joaquim Nabuco, e Nelson Rodrigues, que nasceu em 1912 na Rua Doutor João Ramos.

Lívia Falcão

Lívia Falcão em "Divinas", produção da Duas Companhia (foto: divulgação)

A menina de Garanhuns chegou ao Recife aos 14 anos para estudar. Depois de indas e vindas para o Rio de Janeiro, onde participou de produções globais como Belíssima e Amorteamo, sempre volta para o apartamento que lhe acolheu no início da adolescência. 

No teatro, um sucesso atrás de outro: Mamãe não pode saber, A dona da história (de João Falcão) e Divinas (da Duas Companhias, que dirige com Fabiana Pirro). Muita gente não sabe, mas Lívia, além de atriz de sucesso, é terapeuta holística há dez anos.

Márcio Alencar

Márcio Alencar já tocou também em bloco famoso do Carnaval do Rio de Janeiro (foto: Gabriela Garcez)

O baixista que acompanha a cantora Paula Toller em shows pelo Brasil migrou do Espinheiro para as Graças quando decidiu juntar as escovas de dente com a namorada. O que ele mais gosta da vizinhança é ver pais levando os filhos para a escola a pé, de bicicleta, uma esquina movimentada por uma barraquinha de tapioca e uma associação de moradores bem atuante.

Aluizio Camara

Aluizio na produção da série "Magrelas" (foto: arquivo pessoal)

É comum ver Aluizio Camara com os dois filhos na garupa da bike, a caminho da escola. O artista plástico e museólogo é tão apaixonado por bicicletas que desenvolveu uma série de quadros e gravuras só sobre elas, Magrelas. Outra paixão do artista é o bairro em que mora.  É um grande entusiasta da ocupação de espaços públicos pelos moradores, como acontece com os cafés da manhã coletivos promovidos pela associação de moradores das Graças.

Cecília da Fonte

Entre viagens mundo a fora, as Graças é onde Cecília da Fonte escolheu morar (foto: Manuela Arruda Galindo)

Essa cineasta de 28 anos já morou em Buenos Aires, Luanda e Brasília, tem um filho de dois anos e meio e ainda atua num coletivo feminista, o Deixa ela em paz. Está em fase de finalização de seu primeiro longa, o documentário Parquelândia, que deve estrear em 2017, no circuito de festivais. 

Para Cecília, as Graças têm o equilíbrio perfeito entre tranquilidade e praticidade. Andar poucos metros até a escola do filho é uma das vantagens e a associação de moradores fazem do bairro um espaço de resistência aos caminhos que vêm tomando a cidade.


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Sugestões e colaborações: gracas@poraqui.news