Entrando no aspecto mais pessoal da coisa (about you/Orkut), eu estudo e dou aulas particulares. Meus horários são sempre meio bagunçados. E acho que cheguei a uma idade de parar de colocar “ser organizada” como segundo ponto da minha lista de metas anuais (emagrecer é sempre a primeira, obviamente). Existe um limite para mentirmos para nós mesmos.

O que quero dizer é que, no fim de tudo, passei os últimos fins de semana caminhando pelo bairro – como eu sempre faço –, só que, dessa vez, sozinha.

Fiz o caminho de sempre. Rua das Graças – Rui Barbosa – Rua Amélia – Rua do Futuro, até onde eu ficar bem cansada de andar (ou, normalmente, com fome).

Como aqui a casa é de ferreiro, o espeto é de ferro mesmo, peguei o guia dos melhores cafés do bairro e tentei achar algo novo. E tentei mesmo, mas o Lalá Café estava bem cheio (o que me deixou ainda mais curiosa pra ir lá).

Graças para iniciantes: entre histórias, lugares e árvores

Acabei parando ali no Galo Padeiro/Meio do Mundo, puxei uma cadeira, pedi um chocolate gelado (o mais gostoso da cidade do Recife, eu sou quase uma profissional nisso), um sanduíche e comecei a anotar coisas, pensar em tudo o que eu devia falar, nos lugares que eu ainda queria conhecer nessa região e como preciso fazer isso antes das aulas voltarem e… aconteceu: eu me senti parte.

Me senti em casa. Ali, sozinha, ouvindo os barulhos ao meu redor, eu me senti em casa. Senti que os garçons já sabiam que eu era. Senti que aquela mesa já era, de certa maneira, minha (é, eu tenho isso também).

Ali, sozinha, não me senti apenas uma iniciante no bairro. Percebi que já até posso ensinar direções. Já sei o nome das ruas (ou algumas, é tudo fluido demais!). Já conheço três ou quatro bons locais pra comer um sanduíche, pra ver o tempo passar, pra viver um pouco a vida no meio dos carros da Rosa e Silva.

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.