O motorista Mário Ferreira estava de férias no dia em que foi acusado de ser um assaltante dentro da Casa dos Frios, mas atendeu a um pedido do patrão que ia viajar para o exterior naquele mesmo dia. 

“Ele me pediu para levá-lo no aeroporto e antes passar na Casa dos Frios para comprar 20 bolos de rolo. Cheguei lá por volta das 20h30. Peguei os bolos de rolo, mas vi que só tinha R$ 600,00. Faltava um pouco mais de R$ 60,00. Fui até o carro pegar. Quando voltei,  eles estavam colocando as grandes na entrada. O gerente devolveu o dinheiro e disse que a caixa registradora tinha travado. Um homem e uma mulher tentaram entrar na Casa dos Frios, mas os funcionários disseram que estava fechada, apesar de ser cedo ainda (o local fecha às 21h). Vi uma viatura passar. Foi aí que percebi que eles tinham chamado a polícia pra mim”, contou, com a voz embargada.

Foi revistado, assim como o carro. Não acharam nada. Tudo isso, sob as vistas de uma pequena multidão que se aglomerou na praça em frente ao estabelecimento. Momentos de angústia até conseguir contatar o patrão, que convocou dois advogados para prestar  assistência ao funcionário.

Segundo Mário, um  policial militar ofereceu uma quantia em dinheiro e a mercadoria (os 20 bolos de rolo) para que ele não levasse o caso adiante. O PorAqui tentou confirmar o fato junto ao advogado da casa Márcio Gondim, mas não obteve sucesso. Ele não atendeu aos telefonemas.

No entanto, o homem que chora a cada vez que relata o ocorrido, ainda se lamenta: “Se eu não tivesse meu patrão, que é advogado, se eu não fosse um bom funcionário, o que seria de mim? Eu só quero que não façam mais isso com outras pessoas. Que eu não seja mais um. Ou menos um”.

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