Uma dupla de gatinhos, Bené e Milo, querem salvar o local onde vivem da especulação imobiliária. Eles enfrentam, nas quase 40 páginas do livro Existem Sonhos na Rua Amarela, de Manuella Bezerra de Melo, os vilões Cãopital, dono de uma construtora, o prefeito da cidade, o macaco Simioco, vaidoso e que adora se autopromover, e Édipo, o gato solitário e amargo, que acaba se juntando à turma do bem em algum momento da história.

A fábula, com ilustrações de Java Araújo e posfácio de Ivan Moraes Filho, acaba de ser lançanda pela Editora Multifoco e está à venda pela internet (você pode comprar clicando AQUI).

Morando em Portugal onde faz um mestrado, a autora contou ao PorAqui que a ideia da história de Existem Sonhos na Rua Amarela surgiu em 2014, quando a cidade do Recife fervilhava com o Ocupe Estelita e, nas Graças, a Associação por Amor às Graças ia à luta contra o projeto inicial do Parque Capibaribe, que previa uma via expressa para carros e que hoje, apesar de a obra estar parada, ganhou um projeto mais humanizado.

Manuella diz que tudo começou quando morava na Rua das Pernambucanas (“bem pertinho do rio”), em 2014, mas que o livro foi tomando forma mesmo quando foi morar na Argentina até virar livro no ano passado, já em Portugal, sendo editado no Brasil.

As ilustrações levam a assinatura de Java Araújo.

Existem sonhos na Rua Amarela

O livro, cujos personagens foram inspirados em gatos reais da vizinhança, foi escrito para crianças de 6 a 12 anos e, apesar de seu contexto hiperlocal – por ser inspirado no bairro das Graças -, dialoga com questões universais e tem muito a ver com a relação da autora com o filho Pedro, de 10 anos.

“Foi uma necessidade de falar um pouco da maneira que eu falo pro meu filho. Se a gente quiser semear algum brotinho de democracia no mundo a gente vai ter que começar por elas, que são o caminho para uma sociedade mais plena, mais democrática, menos intolerante, menos competitiva e mais humana”, diz Manuella.

Manuella vê a Literatura como algo essencial para a formação do ser humano.

Manuella tem uma carinho especial pelo bairro que inspirou o livro. “Minha relação com as Graças é de uma comunhão muito profunda. Se um dia eu voltar pro Recife, eu não me imagino morando em outro lugar que não as Graças. É um pequeno país dentro do meu coração“, afirma a escritora, que já morou, trabalhou e teve um café no bairro, o Ernesto Café, que ainda existe, mas tem outros sócios à frente.

 

Para ela, a leitura é essencial para a formação de caráter do cidadão. “A literatura pra mim hoje é a forma de tentar plantar alguma semente que brote como algo positivo nesse mundo de intolerância”, analisa.

Existem Sonhos na Rua Amarela fala para crianças e adultos sobre meio ambiente, democracia e direito à cidade e é um convite à reflexão para toda a família.