Um pequeno detalhe que acabou passando batido nas minhas pequenas narrativas é que, apesar de só agora ter me mudado para as Graças, a região não me era totalmente estranha. Eu passei grande parte da minha infância no bairro vizinho – Aflitos. Mais precisamente na Avenida Santos Dumont, número 236, na Loja Rosacruz Recife.

Todos os sábados, eu e minha irmã acompanhávamos minha tia, descíamos do ônibus ali perto do Country Club e caminhávamos até a Loja. Fiz esse caminho dos 5 (ou 6?) anos até os 11. Fiz amigos, aprendi muito. Era meu lugar favorito para ir nos fins de semana. Eu encontraria meus amigos, faria as atividades da Ordem Juvenil, encontraria tios e primos (minha família materna era – e ainda é – muito ativa na Rosacruz até os dias de hoje).

6 lugares onde você pode me encontrar nas Graças e arredores

Outra memória que eu tenho de infância que me remete ‘a essas bandas’ é, obviamente, o Parque da Jaqueira. Aos 27 anos, minha boa memória já não é tão boa assim, mas sei que visitei o parque com alguma frequência nas férias (o que pode muito bem ser uma vez por ano, era um tanto longe de onde eu morava).

Hoje eu vou na Jaqueira para visitar o Parcão, aquela praça logo atrás, pra ficar observando os cachorros alheios (Foto: Heloiza Montenegro)

Lembro que a coisa mais divertida do mundo era me perder nas escadas dos escorregadores ou tentar saltar do balanço (enquanto ele balançava, claro. E não se arranhar no processo).

Jaqueira teve papel importante na luta contra holandeses no século 17

Já adolescente, o Parque da Jaqueira tornou-se o lugar mais central para encontros de fãs de uma banda que eu gostava. Eu pegava dois ônibus, quase sempre me perdia, mas era sempre um momento feliz.

Um Natal para recordar

Agora, de todas as memórias que me transferem para essa região, a minha favorita é de um Natal. Por alguma razão, meus pais resolveram não fazer ceia de Natal. E para a Heloiza de alguns anos atrás, essa era a maior das afrontas.

Para tentar contornar a situação, eles resolveram nos levar (eu e minha irmã mais nova) para a Praça do Entroncamento. Lembro de como era lindo ver a praça toda iluminada, o coral de Natal, um monte de famílias ao redor. Mas a maior alegria foi poder encontrar meus tios e primos que moravam ali perto, no Espinheiro.

E, junto com eles, o convite para participar da ceia. E por mais que eu lembre da beleza das luzes, da fonte e dos sons, minha melhor memória daquela noite vai ser para sempre o pudim.

 

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.