Essa semana foi aniversário de Recife e eu me peguei pensando na minha real relação com a cidade toda. Apesar de só morar aqui desde junho do ano passado, eu nasci e estudei em Recife grande parte da minha vida. Jaboatão sempre foi só a cidade onde eu dormia (acho que a maioria das pessoas que moram lá pensam de modo semelhante).

Toda cidade é feita por espaços incompletos. Feita por placas que caem, como a que sinalizava a Rua da Hora/Conselheiro Rosa e Silva, duas semanas atrás.

Ninguém é perfeito e a vida é assim

Feita por busca por lixeiros, como a minha, ao tentar jogar o resto da minha maçã (que, muito depois, cheguei a conclusão que podia ter colocado perto da raiz de alguma árvore!).

Feita por pedras e buracos no caminho, como aquele numa esquina da Rua das Graças, que eu tento desviar toda segunda, quarta e quinta e que parece ficar maior cada dia que passa.

Feita pelos vizinhos invisíveis que moram embaixo das marquises de velhas farmácias. Feita pelos que nem na marquise ficam, aqueles que procuram espaços entre outros espaços – e os ocupando o menos possível.

Graças para Iniciantes: os caminhos entre as árvores

A cidade, o bairro, a vida, é feita de tantas coisas que, mesmo como iniciante, eu consigo ver. E gostaria que todos vissem também.

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.

 

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