After school, walking home
Fresh dirt under my fingernails and I can smell hot asphalt
Cars screech to a halt to let me pass and I cannot remember what life was like through photographs
Trying to recreate images life gives us from our past and sometimes it’s a sad song

(The Sun – Maroon 5)

Sábado, resolvi caminhar até a Academia Pernambucana de Letras e participar de uma conversa sobre Literatura Fantástica. Era inicio de feriado, o clima estava mais confuso do que eu quando acordo muito cedo. Aliás, o dia estava confuso.

Os espaços incompletos de toda cidade: eu os vejo

Eu passei a semana inteira saindo de sombrinha – quando não chovia – e esquecendo a sombrinha – e voltava sempre molhada. No fim, nada de chuva e dei sorte de ser feriado: uma escola das redondezas resolveu fazer uma reforma na calçada – o que me deu a opção de ter que andar no meio da Rui Barbosa – mas não tinha ninguém na rua. E eu andei.

 

Tem umas florzinhas rosas no caminho. Foto: Heloiza Montenegro

Wow look at you now, flowers in the window
it’s such a lovely day and I’m glad you feel the same
‘cos to stand up, out in the crowd, you are one in a million
and I love you so let’s watch the flowers grow

(Flowers in the Window – Travis)

Domingo eu fui rodeada de família. Fico me perguntando se é para isso que os domingos são feitos: barulho, almoços em conjunto, primos que a gente não vê com tanta frequência. Domingo é o dia em que meus brinquedos são trazidos à luz de novo pela minha prima de seis anos. Domingo sempre acaba no Netflix, principalmente o domingo pré-feriado, com uma passada no Villa Cardeal no meio do caminho.

Sobre domingos, que sempre terminam, mas nunca começam

Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

(Paisagem na Janela – Lô Borges)

Aquela chuva que ficava entre cair ou não cair, resolveu aparecer na segunda. Caiu no mundo ao meu redor, caía enquanto eu esperava por algum documento no banco, caía enquanto eu comprava remédios, caía enquanto eu ia no mercado, caía enquanto eu tomava cappuccino e dividia um croissant. A chuva trouxe febre, trouxe cuidado, trouxe mais Netflix, trouxe um passarinho que me acordou, mas que eu nem consegui ver, por causa da cortina fechada.

It’s about he nights we spent locked up inside your room
it’s about the morning breaking always just a bit too soon

(Walking By – Holiday Parade)

Chega o fim do feriado. Sempre acaba igual: procurando um espaço aberto onde a gente pode jantar – e o jantar nem tava tão bom assim. Tudo acaba mesmo na farmácia – a maior e melhor instituição das Graças. E Netflix. E sono. E lá vamos nós mais uma vez…

 

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.

 

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