Por Marta Roca Muñoz*

Cheguei aqui em 2014. Vim de Barcelona, na Espanha, e, logo de cara, o Recife me despertou um interesse que se transformou no tema da minha pesquisa de mestrado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O ponto principal é que o Recife esconde muitas casas totalmente fechadas à rua. 

São muros altos e cegos, e isso gera uma dinâmica social que faz toda diferença na hora de as pessoas se organizarem e ocuparem o espaço urbano. Todo mundo conhece aqueles rostos com quem a gente cruza todos os dias no mesmo bairro, mas que nunca vamos conhecer a fundo ou saber o nome. 

Agora eu estou numa fase da pesquisa em que minha orientadora, Circe Monteiro, me indicou visitar os bairros de Setúbal, Boa Viagem, Graças e Vila Tamandaré, para tentar entrevistar as pessoas e descobrir quais são os fatores que influenciam as relações entre as pessoas que convivem ou, no mínimo, se cruzam no mesmo bairro, desde amigos até esses desconhecidos de rostos conhecidos.

Para isso a pesquisa se desenvolve em dois estudos e, nessa primeira fase, preciso da ajuda de moradores das Graças que possam responder ao meu questionário. Com isso, vou conseguir saber mais sobre vocês e sobre como vocês se relacionam no bairro. 

Clique aqui para acessar o questionário.

(foto: Inciti)

Depois, no segundo estudo, eu vou mapear, no bairro, a situação das ruas; os tipos de moradia; a qualidade da interface público-privada; as formas como o solo é usado; além do número de portas, portões ou aberturas que separam e interligam o público e o privado nessa localidade.

O que vai ser interessante nisso tudo é que, quando eu juntar as informações dessas duas etapas, a gente aqui em Setúbal vai poder ter mais consciência de como a forma que a gente organiza nossa paisagem mexe com a proximidade da gente com nossos vizinhos. 

Por que há bairros onde os vizinhos se conhecem mais do que em outros? Será que a estrutura do lugar, o tipo de rua, o tamanho da quadra ou o tipo de moradia e comércio existentes ajudam a favorecer mais encontros entre vizinhos? E a presença de espaços públicos? 

Quais os aspectos que respondem por uma maior ou menor sociabilidade urbana? Essas são algumas perguntas que pretendo desvendar em minha pesquisa e, quem sabe, poder ajudar as pessoas a se relacionarem mais e melhor no mesmo bairro – e também fazer com que as pessoas se ajudem mais no dia a dia.

*Marta Roca Muñoz é mestranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE desde março de 2015 e pesquisadora do Inciti – Pesquisa e Inovação para as Cidades, no projeto do Parque Capibaribe (UFPE + Prefeitura do Recife). Ela é arquiteta e urbanista espanhola formada em 2013 pela Escola Tècnica Superior d’Arquitectura La Salle (URL) em Barcelona.


O jornal de bairro evoluiu. No PorAqui, você encontra estações de conteúdo hiperlocal e colaborativo.

Para baixar o aplicativo: Android e iOS

Sugestões e colaborações: gracas@poraqui.news