Domingo, como sempre, acordei mais tarde do que planejava (tanto que perdi mais um café da manhã). Duas semanas seguidas sem passar o fim de semana nas Graças, acordei com vontade de andar – apesar da cara de chuva.

Sobre quando eu mesma me tornei Graças

Acabei decidindo atravessar a ponte e fui até ao Meio do Mundo da Beira Rio. Tudo parecia tão devagar… os cachorros, as pessoas, os sinais de trânsito, as nuvens, a chuva que ameaçava cair mas permanecia ali no céu, preguiçosa, almoço de 16h, os meninos jogando futebol ali num “campinho” do outro lado da rua.

Você praça, eu acho graça. (Foto: Heloiza Montenegro/Colaboração)

Na volta, passei por essa “vila” (como vocês chamam esse espaço? Eu só chamo de ruazinha que fica A Caverna). Vazia. A praça que nem parece praça (mas é): tem até placa! As casinhas iguais. E fiquei imaginando um mundo onde as casas todas fossem minhas. Planejei o destino de cada uma delas, como uma grande brincadeira (ou uma grande arquiteta).

Olhei para Bruno e decidi: eu ia comprar alguma delas, encontrar um pouco de paz. Eu teria que abrir mão da minha casa imaginária na Cardeal Arcoverde por enquanto, mas tudo ia dar certo no final.

Ficamos ali, planejando uma fantasia naquela casa com uma placa de “aluga-se”, demos as mãos e continuamos nosso caminho pra casa. Tava quase chovendo, a gente precisava sair e nossa fantasia ia esperar mais um dia.

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.

 

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