Tem uma música bem famosa, que já foi gravada por uma porrada de gente (eu gosto da versão do Faith no More) e que o refrão diz:

That’s why I’m easy
I’m easy like Sunday morning

Eu não sei vocês, mas manhãs de domingo não são fáceis não.

Aliás, manhã de domingo nem existe pra mim. E acho que essa é a graça da coisa toda.

Domingo eu me dou o direito de acordar tarde, bem tarde, com cheiro de almoço vindo da cozinha, me chamando pra começar o dia – de uma vez por todas. Domingo de manhã eu fecho a cortina do quarto, pra me enganar que o sol não tá ali.

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Domingo eu nem me culpo em saber que – enquanto eu durmo – Mainha já bordou uma toalha, foi na missa, fez café da manhã.

Domingo de manhã me faz esquecer da promessa de acordar cedo e ir tomar café na padaria. Aliás, domingo nem é dia de tomar café. Domingo não precisa de café pra acontecer, pra começar. Domingo nunca começa de verdade.

Domingo só acontece depois do almoço. E do cochilo pós-almoço. Domingo é o Colinho de Vó, do Lalá Café (que eu finalmente consegui ir!).

Colinho de Vó. Com direito a abraço. Foto: Bruno Piffardini

Domingo é ciclovia. Domingo é chuva fina (ao menos os últimos domingos). Domingo é a promessa (mais uma!) de terminar aquela visita ao Museu do Estado (que começou uns bons domingos atrás).

Domingo é paz, onde meus dias são sempre caos. Domingo é despedida no fim da noite, depois de uma maratona de novelas velhas. Domingo são os vizinhos na piscina ou as festas ou os almoços ou os churrascos. Domingo QUASE não tem sirene.

Domingo é fácil. Desde que eu acorde tarde.

 

 

Heloiza Montenegro, novata no bairro, pode ser encontrada com a cabeça enfiada num livro, dormindo em um ônibus ou tomando chocolate quente. Ou escrevendo para o seu blog Em 365 dias.

 

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