Hoje é feriado estadual, dia dedicado à Revolução Pernambucana de 1817, que eclodiu justamente num 6 de março e durou 74 dias. Sete anos mais tarde, eis que a província de Pernambuco se rebela novamente contra a centralização da Coroa.

Desta vez, o movimento se chama Confederação do Equador (que é até nome de rua nas Graças: ela vai da Av. Rui Barbosa até a Av. Rosa e Silva, se localizou?).

A Confederação vem anos depois da Revolução Pernambucana, mas tem motivações bem parecidas: resistência à monarquia. Se os revolucionários de 1817 queriam a República e independência de Portugal, os confederados de 1824 queriam tornar Pernambuco independente do Brasil!

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Entenda

“A Confederação do Equador teve suas causas, primeiro, na forma de administração da Coroa com relação ao Nordeste e por causa da Constituição Outorgada de 1824 que D. Pedro I vai impor, uma constituição altamente centralizada”, explica a professora de História Laura da Hora.

O fato de os impostos cobrados aqui serem enviados para o Rio de Janeiro, a violência contra os participantes de 1817 ter sido muito grande e a crise no mercado do açúcar vão impulsionar os confederados.

“Nossa história é de muita revolta contra os desmandos da monarquia… A gente vem de uma região onde o trabalho era escravo, então os trabalhadores livres, muitas vezes, não tinham em que trabalhar… Então aqui era um província onde havia muita convulsão social.  Os portugueses tomavam conta do comércio, e os homens e mulheres livres, o que sobrava para eles trabalharem? Então havia um estado grave de mendicância aqui”, diz Laura.

Perda de território

Enfrentar a Coroa não saiu barato para a província. “Pernambuco foi punido depois da Confederação do Equador. Foi o único Estado do Brasil que perdeu territórios como punição. A gente perdeu o que é o território de Alagoas hoje e perdeu a Comarca de São Francisco, no oeste baiano, que hoje faz parte da Bahia”, acentua Laura.

Talvez você esteja se perguntando como não sabia de nada ou de quase nada disso, mas Laura esclarece: “A História de Pernambuco foi simplesmente apagada da História do Brasil porque Pernambuco tem uma tendência revolucionária muito grande. Era preciso que nossa História não fosse perpassada, que a História do Nordeste fosse abafada. Por isso que a gente tem pouquíssimo conhecimento da História de Pernambuco”.

“O Padre Carapuceiro dizia que Pernambuco era ‘o vapor maligno do Nordeste’, porque toda revolução começava aqui e se espalhava pela região. Por isso que, depois da Confederação do Equador foi preciso que Pernambuco sofresse uma retaliação como punição para que não mais repetisse nenhum ato contra a Coroa Portuguesa”, explica.