Copa do Mundo mexe mesmo com a pessoa que é fã do futebol. É aquele evento que o torcedor de carteirinha para por um mês para acompanhar todos os jogos e anotar na memória todos os dados possíveis. Quem fez o gol mais bonito? Qual foi o melhor jogo? A maior goleada? O artilheiro? E por aí vai entrando nos mínimos detalhes.

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Eu, como fã de Copa do Mundo que sou, encontrei alguém com mais bagagem que eu. O funcionário público Eduardo Cortes, de 69 anos, sabe o que é Copa do Mundo desde 1958. Ou seja, das 21 Copas realizadas até agora (contando com a da Rússia), ele está na 16ª. Não perde um jogo.

“Em 50 e 54, eu já era nascido, mas não tinha muita noção. Minha primeira Copa mesmo foi a de 58, quando ouvi pelo rádio da minha avó, lá no Rio de Janeiro. E de lá pra cá, acompanhei todas. Vi grandes vitórias e algumas derrotas também”, comenta.

Eduardo chega à sua 16ª Copa e acompanha preparado para entrar em campo (foto: divulgação)

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Apesar de a televisão já ter sido inventada naquela época, Eduardo só viu pela telinha a partir de 70, ainda em preto e branco. Só em 74 foi que começou mesmo a era das Copas na TV em cores. Mas de todas essas Copas que ele já acompanhou, que mais marcou foi a da transmissão em preto e branco.

“Foi a Copa de 70, no México, que o Brasil teve a melhor seleção de todos os tempos. Ganhamos a final com um 4×1 sobre a Itália. A Seleção era toda certinha, em todas as posições, eram jogadores de grande capacidade”, afirma.

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Como muitos fãs de futebol, Eduardo já se arriscou dentro das quatro linhas (foto: divulgação)

Mesmo passados 48 anos e 11 Copas, aquela magia não foi apagada pelas derrotas no jejum de 24 sem título do Brasil até 94, nem no domínio que perdurou até 98, nem no atual jejum de 2002 pra cá que culminou nos 7×1 de 2014.

“Nesse tempo, eu destaco a Seleção de 82, que foi uma das melhores também. Mas aquela Copa ficou marcada pelos gols de Paolo Rossi (Itália) que eliminaram o Brasil”, recorda. Naquele ano, o título ficou com os italianos, que chegavam o tricampeonato.

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Em 86, sua primeira Copa no Recife, ele assistiu da casa do sogro o maior ídolo daquele time, Zico, perder o pênalti contra a França. Começava ali a história de domínio dos franceses sobre o Brasil, que se repetiria na final de 98 e nas quartas de final de 2006.

No Recife, as Copas eram na casa do sogro. Foi lá que também a eliminação para a Argentina em 1990 e o tetracampeonato sobre a Itália em 94. Já sem o sogro vivo, viu em um restaurante com amigos a final de 98, quando a França meteu 3×0, com dois gols de Zinedine Zidane. “Essa Copa foi outra que marcou negativamente, pelo tamanho da derrota”, explica.

Por fim, a última Copa que não sai da cabeça de Eduardo é a de 2014, quando o Brasil foi eliminado nas semifinais por um sonoro 7×1 dos alemães. “O 7×1 ainda está marcando muito. Você vê que a maioria das pessoas só se interessaram pela Copa quando já tava começando. Em outras Copas, bem antes, já se vendia muita coisa”, destaca. “Pra apagar os 7×1, vai demorar muito. Tanto quanto foi pra apagar aquela virada de 2×1 do Uruguai, em 50”, completa.

Eduardo lembra ainda dos carrascos que passaram pelo caminho do Brasil nesse tempo. “Teve Euzébio, o português que eliminou o Brasil na primeira fase em 66; Rossi, aquele da Copa de 82; e Zidane, que ganhou a Copa de 98 e ainda nos eliminou em 2006”, lista.

Para este ano, a situação do Brasil rumo ao hexa não está tão clara, já que começou o torneio com dois jogos difíceis, apesar de enfrentar dois adversários de nível mais baixo que a Seleção. Por isso, Eduardo cobra mais empenho do time comandado por Tite.

“A gente vai ter que jogar um pouco melhor do que está jogando. Eu acho que Neymar está pipocando muito. Precisa passar mais e prender menos a bola. Eu acho difícil, mas se o Brasil jogar como jogou nos últimos jogos das Eliminatórias e como jogou os amistosos, ele pode chegar à final. Aí, na final, é outra história. Qualquer coisa pode acontecer”, encerra.