Desde 1987, a Classic Vídeo é sinônimo de uma boa seleção de filmes no bairro da Torre. A vídeo locadora viveu todas as fases do negócio. No início, os clientes podiam pesquisar em folhinhas plastificadas, onde se lia a sinopse, o título, diretor e os nomes dos principais atores e atrizes. Depois de escolhida a fita, o funcionário da loja procurava o VHS nas prateleiras.

As fitas deram lugar aos DVDs ainda na década de 90. Depois outras tecnologias chegaram a surgir, mas a grande mudança final veio mesmo com o sucesso das plataformas de streaming e especialmente do Netflix. A crise no setor fechou a grande maioria dos empreendimentos, a resistência da Classic passa por oferecer serviços como a digitalização das fitas de VHS e a venda de parte do acervo. Mas principalmente pela paixão.

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Acervo da Classic atrai cinéfilos até hoje (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

No Mercado Livre, um anúncio dá a entender que a Classic está fechando. Mas o proprietário da loja, Claudio Brayner, explica que é mais uma forma de chamar atenção. “Estamos querendo aliviar um pouco o espaço”, garante.

Apaixonado por cinema e pela sua locadora, ele conta histórias de amor realmente pelo cinema. “Peguei uma bicicleta para ir assistir no Cine Caxangá o filme que teve o primeiro nu frontal do cinema. Era 18 anos, mas eu era grandão, cheguei lá, entrei e fui assistir o filme. Quando estava na cena que a Lucrecia Borgia saia da piscina nua um casal saiu do cinema chocado”, ri.

Lançamentos deixaram de ser o foco da Classic (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

Entre as raridades do seu acervo, o cinéfilo destaca Um dia de sol, de 1973. O filme feito para a televisão ficou famoso por conter músicas do John Denver, “não tem em canto nenhum, nem nos Estados Unidos. Sem a legenda, sem nada, mas mais de 50 pessoas já procuraram esse meu filme”, conta, ressaltando que conseguiu a cópia de um colecionador canadense.

A loja  guarda mais de 13 mil títulos, incluindo cerca de 6 mil em fitas VHS. Claudio conta que algumas raridades na sua coleção chegam a valer R$ 500. Pelo site da Classic, é possível ler as explicações sobre os filmes como antigamente quem frequentava lia nos fichários de papel espalhados pela loja.  Acesse aqui para saber os títulos disponíveis.

“Isso é mais uma cachaça. Eu também sou colecionador, tenho um acervo de 18 mil filmes (fora os da loja), então a loja e o acervo são mantidos mais por hobby, mas não tenho lucro e acho que as outras locadoras também não devem ter”, diz Claudio Brayner.

Classic Vídeo Locadora
Rua Padre Anchieta, 208, Torre
Fone: (81) 3228-4302

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