Em que pesem as mazelas que vive o País, o futebol ainda é o ópio do povo. Há quem lance críticas, atribuindo a única preocupação do povo a situação do seu clube favorito ou a posição da Seleção Canarinha no ranking da Fifa.

Não é bem assim… O fato é que o futebol ainda permite alguns instantes de alegria… para o time vencedor, claro, e a nossa gente vive carente de afagos na alma. Ao menos a bolinha bem conduzida em campo, os dribles desconcertantes, as defesas milagrosas, os gols inesquecíveis ainda nos acalentam de vez em quando.

Da série: o lugar certo de cada palavra (parte II)

Em ano de Copa do Mundo, mais ainda estão imbuídos de euforia os torcedores mais entusiasmados. E se amplia a quantidade de técnico Brasil afora também, cada um com a sua escalação mais acertada, postulante à campeã, dividida, em resumo, a duas equipes: com e sem Neymar.

Seja como for, a coisa vai ficar ‘russa’ lá pelas bandas da Europa, porque eu tenho pra mim que nesta Copa a taça vestirá verde e amarelo .Vai, Brasil!

As finais dos campeonatos estaduais também impõem o mesmo rebuliço e já invadem os sites de apostas pelos 4 cantos do País. Em nosso estado não seria diferente… Aliás, é diferente! Afinal, é a primeira vez do Central em uma final estadual.

Curiosamente, a Patativa, assim chamado o clube caruaruense, briga pelo primeiro lugar no Campeonato Nacional da Série B, de 1986, junto com o Galo da Borborema, o Treze, de Campina Grande, e até ostenta o título em seu estádio, mas debuta no estadual, tendo feito a segunda melhor campanha durante as fases de classificação, sem uma derrota sequer em seu gramado, no Luiz José de Lacerda – carinhosamente apelidado de O Lacerdão.

Velha infância: quando pipa era brinquedo e criança era criança

Há mais dois clubes que poderiam entrar nesta disputa de 1986, mas isto é uma longa história, que a patativa sopra depois aos ouvidos do leitor mais curioso. Agora é hora de pensar no tão sonhado título inédito.

O adversário do Central é velho conhecido de campeonatos e ostenta um hexa, que é um luxo só. Entretanto, há 14 anos aguarda ansioso por um título, tendo a má fama de “morrer sempre na praia”.

Como eu, a colunista que vos escreve, vivo esta agonia, desta feita ouso me colocar no texto e… – xô, mazela! Sai pra lá, inhaca! Desculpem-me, centralinos queridos, mas eu quero mais é desenterrar a cabeça de burro que mora nos Aflitos e que, se Deus quiser, será chutada em gol, duas vezes, no próximo domingo, na Arena Pernambuco.

Assim como para a Seleção Brasileira, “Hexa taça é nossa! Aqui e Náutico!” Perdão, leitor… eu me empolguei, confesso!

Outra diferença que permeia o nosso estadual 2018 é o fato de as duas maiores torcidas em linha reta da América Latina estarem de fora da disputa do título. Confesso certo lamento… De um lado, pelo Sport – clube que tem a melhor estrutura – física, infraestrutural, de recursos humanos e gestão – entre os principais clubes da cidade. Do outro lado, pelo Santa Cruz, por sua torcida fervorosa e numerosa.

Que Ariano Suassuna nos salve, amém!

Que fique bem claro: lamento pelas instituições, pela história dos clubes e até por suas torcidas, mas não vou mentir que estamos mais tranquilos sem o adversário rubro-negro na disputa, apesar de tê-lo vencido com pompas durante os confrontos do campeonato, e também por evitar o Clássico das Emoções – meu coração é capenga para estas coisas. Já sinto o seu palpitar para a partida que vem… Ufa! Aguenta, máquina cardíaca!

Há que se registrar também uma importante diferença: a de que não há indícios de confrontos entre torcidas organizadas para a partida final. Se por um lado nos alegramos deste fato, por outro, nos entristecemos ter que torcer por algo que não deveria permear entre as torcidas.

Somos adversários, sim, dentro do campo, dividindo as redes do gol, os pontos marcados, as vitórias conquistadas. Fora do gramado, deveríamos ser diferenciados apenas pelas cores que optamos por torcer… nada mais. Em qualquer esfera, a violência é abominável, inaceitável e sem propósitos. Que ela não ultrapasse a linha do pensamento e da ação nos campeonatos espalhados por este mundão de meu Deus!

No próximo domingo, dia 08 de abril de 2018, nós, alvirrubros e centralinos, pernambucanos, sim, senhor, nordestinos com baita orgulho, viveremos 90 minutos como se fossem os últimos de nossas vidas…

Sendo assim, que a nossa Arena seja o espaço da disputa sadia e justa entre as quatro linhas; que seja um lugar de alegrias entre as torcidas; que marque o retorno do Náutico ao topo do pódio ou lance o Central a sua primeira taça estadual!

Seja como for… que vença a paz, o colorido, a alegria que ainda nos é permitido viver, advinda deste inebriante encantador de almas, o ópio do povo, chamado Futebol!

 

Por Ediane Souza

Em “Divagando”, Ediane Souza vaga por suas memórias e por memórias coletivas do recifense, do pernambucano. 

 

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