Enquanto atende a pedidos de vereadores, o desligamento dos radares de controle de velocidade no Recife tem causado revolta nas pessoas que usam a bicicleta. Foi iniciada a campanha Desligamento Não, em que ciclistas ligados à Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) pretendem pressionar o poder público para que não seja feito este teste.

Leia também

Ciclistas e pedestres reclamam de travessia perigosa na Ponte do Pina

A Prefeitura do Recife explica que os radares deixarão de multar veículos por excesso de velocidade durante os horários de pico (manhã e início de noite). A ideia surgiu no Projeto de Lei 40/2017, do vereador Marco Aurélio, que foi aprovado na Câmara e vetado pelo prefeito Geraldo Julio.

Porém, agora a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) afirma que, “caso o teste não fosse feito, os vereadores poderiam reverter o veto do executivo e, dessa forma, a lei entraria em vigor mesmo sem ter sua eficácia comprovada”.

Dessa forma, os radares ficarão cegos para infrações de motoristas que circulem acima do limite de velocidade estabelecido pelas placas nos horários das 6h às 8h30 e das 17h30 às 19h.

 

“Estão fazendo testes com nossas vidas. A Prefeitura está fazendo política com a vida dos ciclistas, e isso não pode acontecer”, reclama o presidente da Ameciclo, Daniel Valença. “O poder público vai ter um gasto muito maior com isso por conta dos acidentes, que vão aumentar”, acrescenta.

Ele utiliza de dados fornecidos pela Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) para reforçar seus argumentos. Segundo o órgão municipal, o total de fotossensores e lombadas eletrônicas instalados no Recife já diminuíram o número de colisões e atropelamentos em 80,45% nas vias em que estão instalados.

Ainda em consulta pública encaminhada pela própria Ameciclo, a CTTU respondeu que, “cada um dos pontos de fiscalização de velocidade, foi importante, tanto na redução de acidentes como de velocidade de veículos, permitindo melhor fluidez ao trânsito”.

Além da pressão via internet, a Ameciclo e outras entidades de defesa de ciclistas pretendem acionar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para tentar revogar esse teste.