Um ano de idade: você está arrodeado de pessoas, embora reconheça poucos rostos, e se sente mais assustado do que feliz. Luzes e barulhos te hipnotizam, mas, mesmo assim, você dorme antes dos parabéns.

Dez anos de idade: festinha com a turma da escola, presentes e presença de familiares em casa. Comilança e brincadeiras se revezam. Você está num estado de excitação ímpar. Tudo é lindo.

Vinte anos de idade: telefonemas dos parentes, beijo de mãe e barzinho/festinha só com os amigos. Talvez sua turma tenha mudado e, agora, é o pessoal da faculdade que te faz viajar, rir, celebrar. Um ou outro amigo de infância, nitidamente deslocado, aparece para te dar um abraço, mas logo vai embora e você parece até ficar aliviado.

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Trinta anos de idade: você, sua esposa e seu filho. Talvez, seus pais e seus sogros. Um vinho, um bolinho e uns brebotes. Mais do que isso, e você estará se arriscando a acordar completamente destruído no outro dia. Os tempos mudaram.

Cinquenta anos de idade: festinha com a turma da escola, presentes e presença de familiares em casa. Comilança e cachaça se revezam. Você está num estado de sensibilidade ímpar. Tudo é lindo, nostálgico, melancólico e estranho. Se der sorte, aquele amor gostoso no final do dia.

Noventa anos de idade: você está arrodeado de pessoas, embora reconheça poucos rostos e se sinta mais assustado do que feliz. Luzes e barulhos te hipnotizam, mas, mesmo assim, você dorme antes dos parabéns.

 

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.

 

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