Kombinationsfahrzeug. Esse palavrão é o nome real oficial do simpático automóvel que chegou ao mercado brasileiro apenas como “Kombi”. Em um livre abrasileiramento significa “veículo multiuso”, pois diferente de um carro comum, foi projetado para ser utilizado tanto como veículo de carga, quanto para servir de transporte de lazer para a família – dentre tantas outras funções no decorrer do tempo.

Nos anos 1960 e 1970 o uso da Kombi como modal foi adotado pelo movimento hippie, assim se tornando um dos ícones da contracultura, pois servia facilmente como residência/albergue móvel. Os ecos daquela época se sofisticaram e ressoam até hoje em movimentos como o tiny house, que preza pela vida minimalista, colaborativa e mais lenta, rompendo com paradigmas relacionados ao consumo desenfreado e ao individualismo.

Leia também:

Mulher recifense viaja Brasil em Kombi e tem cadela como ‘co-pilota’

“Netflix” indígena disponibiliza filmes produzidos pelos povos tradicionais

Magú e Gus botaram a mão na massa para adaptar a Kombi. Foto: Divulgação

Percorrendo caminhos parecidos, Gus e Magú, ele argentino/ela brasileira, até então radicados no bairro do Engenho do Meio, no Recife, resolveram criar um lar temporário para viabilizar os próprios sonhos de viagem. Assim nasceu Margarita, a Kombi formatada pelo casal, contando com a ajuda de amigos e familiares, que foi batizada com esse nome em homenagem à bisavó de Gus, matriarca que costumava promover encontros familiares em sua casa, localizada em Bariloche, Argentina.

O destino? Belém do Pará. “Tínhamos vontade de conhecer a cidade e, no caminho, conhecer algumas comunidades quilombolas e povos indígenas”, explica Magú, arte educadora que tem o conhecimento ancestral como bússola profissional e de vida. O parceiro Gus, mais experiente com viagens desse perfil, saiu da Argentina em 2011 com a missão de conhecer experiências de comunicação comunitária e alternativa.

Kombi Margarita em detalhe. Foto: Divulgação
O sofá se transforma em cama. Foto: Divulgação
Guarda-volumes para as roupas. Foto: Divulgação

Evidente que a nova residência teve que passar por um processo handmade de transformação para que algumas necessidades básicas fossem atendidas com segurança. Agora a kombihome possui cama, balcão/mesa, pia, fogão e móveis para guardar ferramentas e roupas. Além do bagageiro para Isabel e Tereza (as bicicletas), o tanque de água e um estepe. O automóvel conta também com isolamento térmico.

Provocação Ambulante

Projeto preza pelo pensar e o fazer coletivo. Foto: Divulgação

O desejo nômade de Gus, Magú e Margarita por conhecer novos territórios e culturas fez nascer o Provocação Ambulante, projeto colaborativo que tem como mote “vivenciar novas experiências e saberes dos povos tradicionais e originários, considerando o pensar e o fazer coletivo-afetivo-autônomo”.

✍O diário de bordo da viagem pode ser acompanhado no site e no instagram do projeto.

O roteiro base para Belém prevê a ida pelo sertão pernambucano, realizando oficinas de serigrafia artesanal, tecido acrobático, fotografia e livretos ilustrados. “Planejamos viajar durante uns 6 meses, 3 de ida e 3 de volta (pelo litoral) e ficarmos uns 2 meses no Pará”, revela o casal em conversa via internet diretamente de Águas Belas (PE), onde atualmente estão visitando o grupo indígena Fulni-ô.

Provocação Ambulante dialoga com pessoas de todas as idades. Foto: Divulgação
Magú promove vivências de tecido acrobático. Foto: Divulgação
Atividade na aldeia Fulni-ô, em Águas Belas. Foto: Divulgação

Apesar das dificuldades, a viabilidade da viagem é retroalimentada em parte pelas trocas/permutas que os viajantes conseguem empreender na estrada. Além da cooperação proporcionada por uma rede de apoio formada com a ajuda de alguns contatos, Gus e Magú também estampam camisas, costuram bolsas, doleiras e estojos.

“Fomos ao FIG (Festival de Inverno de Garanhuns) para vender nossos artesanatos e pensamos em parar em algumas cidades para poder vendê-los”, explica Magú. “Também tentamos gastar a menor quantidade de dinheiro possível, só para nos alimentar, manter a Kombi e colocar gasolina”, complementa.

Colaboração 

Para quem quiser incentivar esse sonho, uma conta poupança para depósito de qualquer quantia foi disponibilizada pelo casal. Além da possível colaboração financeira, Gus e Magú também pedem ajuda com contatos de pessoas de diferentes estados e cidades da região Nordeste para que possam, por ventura, guardar Margarita em um lugar mais seguro ou até mesmo tomar um banho ou usar a internet.

💰Conta para depósito: Banco do Bradesco, ag 1055, conta 1003183-4.