13 de junho de 2018. No dia anterior ao pontapé inicial da Copa do Mundo de futebol masculino (FIFA) na Rússia, diversos movimentos sociais se reuniram para afinar os últimos detalhes para o início da Copa das Resistências, encontro futebolístico de rua inédito que acontecerá nos dias 16/06, 23/06, 08/07 e 14/07, em três lugares da Região Metropolitana do Recife (RMR).

A proposta da ação é repensar o sentido do campeonato mundial. “Somos um grupo que gosta de futebol e de Copa do Mundo, mas que está muito incomodado com os últimos acontecimentos no país”, explica Clarissa Trevas uma das organizadoras do evento que será realizado na Ocupação Marielle, na comunidade do Bode e na Ocupação Carolina de Jesus.

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Promovida pelos movimentos MTST-PE, Coletivo Democracia Santacruzense, Liberta Elas, RENFA, Movimento Coralinas, Movimento Popular Coral, Cannape e CAPE, a Copa das Resistências é inspirada no futebol que é praticado noite/dia nas comunidades, onde a cultura da pelada representa uma realidade que está bem à margem do que se reconhece mundialmente como “padrão FIFA

Arena Corinthians. Foto: AP

“Acreditamos em um futebol de todas as cores, não só para os que podem pagar ingresso em arquibancada ou comprar produtos caros”, explica Clarissa que repudia o que foi visto nas arenas da Copa no Brasil em 2014. Para ela, está difícil torcer para a Seleção Brasileira. “Não concordamos com o posicionamento político de alguns ídolos, como Neymar”, diz.

Futebol e Diversidade

A diversidade dos espaços de jogo ao redor do país é um contraponto à padronização. Foto: Keila Vieira

A Copa das Resistências não será um torneio de futebol como conhecemos, e sim uma oportunidade de encontro e coletividade em que as regras serão estabelecidas na hora. “O que definimos é o tempo de 10 minutos para cada jogo, não precisa ter time definido, quem quiser pode jogar. Vamos deixar uma coisa bem livre”, diz Clarissa.

A escolha dos lugares para a realização das partidas tem a ver com as relações territoriais criadas pelos movimentos envolvidos na organização. “Pensamos em espaços de resistência onde já acontecem peladas, como na Ocupação Carolina de Jesus, no Barro, e na comunidade do Bode que já tem um forte movimento social”, esclarece.

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A grande final da Copa das Resistência celebrará a revitalização do Campinho Carolina de Jesus, que será fruto de um mutirão a ser realizado durante o torneio. Além das partidas de futebol, nos quatro dias de evento haverá também rodas de diálogos e oficinas para adultos e crianças.

Calendário

16/06 (1ª Etapa)
?
Ocupacao Marielle Franco (Antigo Hotel Nassau – Praça da Independência, conhecida como a Praça do Diário)
⏰14h

23/06 (2ª Etapa)
?Comunidade do Bode
⏰ 10h

08/07 (Mutirão Campinho Carolina de Jesus)
?Ocupação Carolina de Jesus (Barro)
⏰8h

14/07 (Grande Final e Inauguração do Campinho Carolina de Jesus)
?Ocupação Carolina de Jesus (Barro)
⏰10h

Doações

A organização pede doações para a creche da Ocupação Marielle. Fralda, leite, material de higiene pessoal, material de limpeza, colchão, corda para pular, giz, sacos grandes de lixo e brinquedos são algumas opções sugeridas.
Contato: @CopaDasResistencias