A Copa do Mundo tem um efeito nas pessoas que nenhum outro evento esportivo provoca. Nem as Olimpíadas se comparam ao mundial de futebol em termos de mobilização, fanatismo e desculpas para beber antes das 11 horas da manhã.

Tenho conhecidos que nunca passaram por média em matemática durante toda a vida escolar e que, no entanto, durante o torneio citado, transformam-se em prodígios da estatística, oferecendo previsões acuradas sobre quase todos os cenários possíveis de resultados.

Amigos que nunca conseguiram se lembrar de uma única data nas provas de História tornam-se doutores quando o assunto é estudar as seleções nacionais e suas ações no tempo e no espaço concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado.

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Pessoas que desconhecem completamente a Física, mas que conseguem discorrer sobre as forças de atrito, peso e resultante, esclarecendo, para todos os interessados, as grandezas vetoriais envolvidas num cabeceio ou numa cobrança de falta.

No meu caso, eu viro o homem-agenda. Passo de uma pessoa completamente desorganizada para um indivíduo com quadro de horários e anotações de todos os compromissos diários. Tudo no intuito de adaptar minha rotina aos jogos realizados durante a fase de grupos e garantir o perfeito acompanhamento de todas as partidas e mesas redondas do dia. Não escapa nada.

O efeito rebote disso tudo é aquela sensação de depressão e falta de sentido na vida depois que a competição acaba. Um estado mental que, nos casos mais graves, demora quatro anos para passar.

 

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.

 

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