Dê-me um limão… e farei uma caipirinha daquelas…

O povo japonês é um dos mais avançados tecnologicamente que conhecemos. Agora, quanto à criatividade… eu tenho pra mim que não existe melhor que o brasileiro… o nordestino, então, vixe Maria! Teria de ser estudado pela Nasa. É uma pena que nem sempre se transforme isto em atitudes lícitas e multiplicadoras de conhecimento e desenvolvimento.

Pelas bandas de cá, todos os dias o nosso vai e vem é recheado de angústia, cansaço, irritação, provocados pelos quilômetros de congestionamentos que temos em nosso já tão famoso trânsito, sem falar na péssima qualidade do transporte público.

Há uma concorrência ferrenha entre as avenidas, para saber qual dentre elas promove a maior retenção. Sabe-se que a Caxangá, aquela outrora intitulada de a maior avenida em linha reta da América Latina, que hoje em dia perde para a Avenida Teotônio Segurado, em Palmas (TO), tem um dos trânsitos mais infernais da cidade.

Já que ela segue ostentando o título de mais longa avenida cuja extensão total se desenvolve numa linha reta, poderia também sair por aí esbravejando que tem o maior congestionamento em linha reta das Américas, quiçá do mundo. Eu que o diga, que a enfrento todos os dias.

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Deu-se que, a partir da ideia de um restaurante localizado na Ilha do Leite, de aproveitar os carros parados no trânsito para vender as suas pizzas, a Caxangá, que não queria outra vez ser passada para o segundo lugar, achou de congregar a maior diversidade de comércio alimentício em linha reta deste mundo.

Abriram-se as cortinas e os artistas ambulantes entraram em cena. Nela, você encontra de um tudo: das pipocas e balas de sempre, passando pela água mineral, refrigerante, pizza, coxinha, salgados diversos, tapiocas… e até as famosas “asinhas crocantes à milanesa” do Yoki Galetos.

Como estamos nos aproximando do período junino, não duvido que surjam, em breve, as pamonhas, canjicas, os milhos cozidos, assados e demais iguarias da culinária de Antônio, João e Pedro. Estão vendo? Já estou lançando ideia… PorAqui é assim: pensou, realizou!

O tempo perdido no congestionamento, certamente, gera aborrecimentos, desgaste físico, mental, nos rouba os instantes em que podíamos estar em casa, em nosso descanso ou mesmo dando conta de tantas outras tarefas, prejudica o profissional de transporte, que reduz o seu lucro e aumenta o gasto com combustível, fora a depreciação do automóvel, e tantos outros aspectos negativos.

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Entretanto, se, de um lado, novas oportunidades de negócio e luta pela sobrevivência foram abertas, do outro, tal atitude favoreceu ao trabalhador (sobretudo à trabalhadora), que, de certa forma, já pode providenciar o jantar no meio do caminho ou até mesmo chegar a sua casa já alimentado (ou comido, como se brinca por aqui), restando-lhe algumas horas da noite para aproveitar com os seus, ou até mesmo para dormir um tantinho mais cedo.

A Lei de Murphy, como bem sabemos, nos prova que as coisas que estão ruins sempre podem piorar. Desta feita, porém, derrubamos o pensamento deste engenheiro panamenho, porque pernambucano é outro nível. Somos um povo arretado e não é qualquer morphyno que vai nos rogar uma praga, nos impedindo de tirar proveito de uma situação ruim, transformando-a em positivas profecias de sucesso.

Se é dito que o brasileiro não desiste nunca, é porque tudo começa por estas bandas, pois é em Pernambuco onde, verdadeiramente, nascem os fortes.

PorAqui é assim… se o sinal fechar, você leva uma pizza, duas tapiocas, meia dúzia de coxinha, três saquinhos de pipoca, um pote de cremosinho, uma ruma de bolo no pote… Se o sinal abrir, se avexe, não, que eu corro atrás e lhe entrego o troco!

 

 

Por Ediane Souza

Em “Divagando”, Ediane Souza vaga por suas memórias e por memórias coletivas do recifense, do pernambucano. 

 

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