Já está ativa a versão recifense do Fogo Cruzado, aplicativo que visa fazer um mapeamento colaborativo dos casos de violência armada na Região Metropolitana do Recife. Criado em agosto de 2016, o app foi idealizado na cidade do Rio de Janeiro e tem como proposta criar parcerias com pesquisadores locais para gerar dados e pesquisas consistentes sobre a violência nessas cidades, além de notificar em tempo real os usuários dos locais onde estão acontecendo tiroteios e confrontos.

Moradores fazem mapeamento da violência em Setúbal

No Recife, o projeto conta com a parceria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e é encabeçado por José Luiz Ratton, professor e pesquisador do Departamento de Sociologia da UFPE.

Em entrevista ao G1, Ratton afirma que “o objetivo é criar uma fonte de informação ágil, veloz e confiável, que permita monitorar os dados sobre disparos de arma de fogo. Como o poder público não tem sido capaz de divulgar esses dados de forma transparente, isso [o aplicativo] permitirá gerar uma informação de qualidade que poderá ser utilizada pela população em geral e vai permitir a criação de relatórios que monitorem e possam reorientar políticas públicas de segurança”.

Como não está ligado somente a dados oficiais (cada usuário pode informar o caso, mesmo que não tenha feito boletim de ocorrência), o aplicativo pode fornecer um mapeamento mais amplo da violência na cidade.

Falando em números oficiais, o balanço da Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS PE), entre janeiro e fevereiro de 2018, afirma que Pernambuco registrou 867 mortes violentas.

Como funciona

Originalmente desenvolvido e lançado pela Anistia Internacional Brasil no Rio de Janeiro, o projeto tornou-se independente e autônomo da organização a partir de janeiro de 2018. Disponível para Android (aqui) e iOS (aqui), o Fogo Cruzado pode ser baixado gratuitamente por qualquer usuário.

Para relatar algum caso de violência armada, basta responder um pequeno formulário ao iniciar o app. Os usuários podem receber notificações em tempo real dos tiroteios e disparos que acontecem na Região Metropolitana do Recife.

Além de receber notificações de usuários diretamente via aplicativo, a equipe de gestão de dados do Fogo Cruzado recebe informações via whatsapp (para pessoas que já tem relacionamento direto com a gestão do app, como coletivos, comunicadores e moradores ativos localmente), mensagens diretas via Twitter e inbox do Facebook.

(Imagem: reprodução/Fogo Cruzado)

Segundo o site do aplicativo, quando a notificação de um tiroteio/disparo de arma de fogo chega, ela não é automaticamente publicada no mapa e nas redes sociais do aplicativo. A equipe de gestão de dados cruza a notificação com scripts e filtros desenvolvidos para agregar informações sobre disparos de arma de fogo.

Desta forma, é possível saber quem, quando e onde está se falando sobre o assunto de forma a cruzar informações sobre um mesmo tiroteio/disparo de arma de fogo. Após tal verificação, a notificação é postada nas redes e o incidente fica em registro público.