Quem anda no aperto diário do metrô no Recife nem imagina que aquele transporte público já teve uma movimentação mais amena. O motivo era a desconfiança da população em relação à segurança elétrica dos trens.

Por ocasião da inauguração do sistema de metrô, em fevereiro de 1985, o zum-zum-zum foi naquele nível recifense em abertura de shopping center. Só se falava naquilo. No entanto, na hora de usar o transporte, muita gente engatou a marcha ré e não quis embarcar.

A linha de busão CDU (Várzea) e o bonde onde tudo começou

Isso por causa dos boatos. “Como assim? E o povo daqui gosta de boato é?”. Pois é. Nem o metrô escapou das falsas informações propagadas boca a boca por nosso povo. Naquela época, só existiam as estações Ipiranga, Mangueira e Werneck e basicamente transporta os funcionários da própria Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

O que se dizia é que o metrô, por ser revestido de metal, transmitia correntes elétricas. O que também motivou os boatos foi uma série de proibições que a administração do metrô fez à época, com o intuito de “moralizar” o transporte. Não poder andar descalço, só com sapato, e não poder andar de camiseta regata eram algumas delas.

Aí a turma dizia “eu vou andar num negócio desse cheio de ‘culete’ nada. O caba num pode nem ir descaço. Arriscado levar o choque”.

Se já teve caso de acidente elétrico no metrô nesses 30 anos, eu não sei dizer, mas posso afirmar que, se alguém levou choque, não foi porque estava sentado no trem e se apoiou na barra de ferro.

Enfim, a CBTU realizou uma campanha para acabar com aquelas informações falsas. Mas vê mesmo: uma cidade que já tinha o ônibus elétrico custou a acreditar no metrô movido por eletricidade.