No vídeo acima, a primeira vinheta comemorativa dos dez anos do projeto Som na Rural (2018) , produzida a partir das ilustrações da artista Joana Lira , animadas por Anderson Fernandes e sonorizada por Neilton do Devotos.

O produtor cultural Roger de Renor estava vendo vídeos antigos do Som na Rural –  projeto que coloca várias expressões artísticas em uma Rural reformada – , quando se percebeu diferente. “Vi que eu tava com a cara esticada e um negócio no braço, que era de uma queda de moto que eu tinha levado. Quando eu olhei a data, levei um susto: dezembro de 2008! Aí falei com Niltinho (Nilton Pereira, também produtor do projeto) ‘vamos fazer alguma coisa para marcar a data’. Imagina se a gente só lembra dos 10 anos quando já fez 11 anos?”, ri.

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Para abrir as comemorações, foi lançada uma vinheta especial dos 10 anos, que, como muita coisa feita ao longo dessa jornada, foi colaborativa. “Pedimos para a artista Joana Lira fazer um selo comemorativo e ela fez várias marcas e possibilidades, e aí a gente terminou juntando elas: Anderson Fernandes viu um movimento e fez a animação. Faltava a música. Fizemos o encerramento da exposição de Neilton (da Devotos) e mostramos para ele, que sonorizou”, conta Roger.

Daí nasceu a ideia de se chamar também outros músicos para também sonorizar a vinheta: Maciel Salu deve ser o próximo. “Mombojó também vai fazer uma. É uma coisa pequena, mas a sonorização é uma identidade que o artista coloca ali. O Neilton colocou uma guitarra distorcida que é bem a cara do Devotos. A de Maciel Salu vamos usar para a cultura popular e assim por diante”, conta.

A vinheta foi usada pela primeira vez para o clipe da nova música da Devotos, Fé demais, que o Som da Rural gravou. A música foi lançada em primeira mão no encerramento da exposição e do catálogo dos 30 anos da banda no Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães  (Mamam), na Boa Vista. Confira abaixo:

Comemorações vão até o ano que vem

O que começou com a vinheta vai seguir com eventos até o ano que vem. A partir de 30 de setembro, o Som na Rural vai ocupar as tardes e começos de noite do Pátio de São Pedro com ciranda. Vai ser de 15 em 15 dias até o final de dezembro.

“Conheço bem o histórico do Pátio. Quem não quer ir para aquele lugar lindo? vai ser em um esquema que começa por volta das 16h e às 20h já vai estar acabando”, comenta Roger.

O primeiro encontro já é com Siba e Anderson Miguel, de Nazaré. A ideia é de que as apresentações sejam sempre com um mestre mais velho e um representante da nova geração. “Não que Siba já esteja velho. É que a gente ia fazer com o mestre dele, Zé Galdino, mas ele está doente. O projeto é em homenagem a ele”, conta.

“Queremos dar uma sacudida no pessoal do Pátio, para que a ciranda continue, independentemente de projeto ou não. Ciranda tem um custo baixo, não precisa de som, não precisa de palco”, diz Roger. O encerramento do projeto vai ser no dia 23 de dezembro, no Centro Cultural Estrela de Lia, em Itamaracá, que ainda não foi reaberto. “É uma forma de chamar atenção para a reforma do espaço. Vamos cobrar, fazer um espécie de calendário”, diz.

Depois do carnaval, o Som na Rural volta para gravar 12 episódios de uma série na TV que se chama “Som na Rural 10 anos – indo e voltando” que vai até o Sertão do estado. “Começa na Rua da Aurora com a Mundo Livre S/A e DJ Dolores e depois vai entrando”, conta.