A moda sempre foi uma paixão na vida de Luciana Queiroga. Ex-modelo e enfermeira de formação, ela construiu carreira na área de saúde, onde atuou por 21 anos. No ano passado, depois de deixar o emprego, decidiu ir adiante com o seu desejo. O resultado é a marca Olivia Shibori, que reúne peças criadas artesanalmente a partir do shibori, técnica de tingimento japonesa.

“Quando saí do emprego um amigo me sugeriu fazer um curso de shibori em São Paulo e acabei me apaixonando pela técnica”, conta. O amigo em questão era o stylist Jackson Araújo, que assina a produção do desfile que ela apresenta nesta quinta (12), na Passarela Fenearte.

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Seguindo o conselho do amigo, ela fez o seu primeiro curso na vertente do tajine shibori, com a artista plástica Patrícia Sayuri, em São Paulo. De volta ao Recife, começou a praticar e a estudar sobre outras técnicas em shibori e sobre tingimento com produtos naturais.

Em casa, Luciana produz as estampas, que são absolutamente exclusivas. “A própria técnica não permite uma reprodução igual”, explica. É por esse caráter manual, totalmente artesanal, que Luciana se apresenta como artesã, e não estilista.

“Não tenho formação em moda, mas sempre estive cercada por esse universo, por ter trabalhado como modelo, ter muitos amigos que trabalham com isso e por ser uma ávida consumidora de moda também”, explica.

 

A grife Olívia Shibori aposta em uma técnica japonesa de tingimento (Foto: José Neto/Divulgação)

O trabalho dela é baseado em diferentes vertentes do shibori com utilização de corantes naturais e industriais.

“Quando é possível conseguir o tom e a cor que desejo, dou preferência aos corantes naturais. No entanto, como gosto de usar tons vibrantes é mais difícil conseguir esse resultado com os naturais porque exige uma quantidade grande de extrato. Minha preocupação é tentar fazer tudo da forma mais correta possível”, explica.

Urucum, açafrão, jatobá, água de ferro, casca de romã, pau brasil são alguns dos ingredientes utilizados por ela para dar cor às suas roupas. Os quimonos, caftans, haoris (espécie de mini quimono) e lenços foram as primeiras peças produzidas por ela.

A produção mais recente, que ela mostra na Fenearte, traz como novidades os wind breakers, que são casaquinhos com capuz, não muito quentes e ótimos para o nosso clima. “A técnica do shibori tem uma cara meio praieira, mas a nossa ideia são peças com uma pegada mais urbana, de street wear”, explica.

A coleção mais recente é uma parceria com o estilista de Santa Cruz do Capibaribe radicado em São Paulo, Jorge Feitosa.

As peças estarão disponíveis para venda pelo Instagram da Olivia Shibori, por onde também é possível fazer encomendas.

Olívia Shibori
@olivia_shibori