Desde maio do ano passado, de um pequeno quarto na área dos fundos de uma casa na Iputinga, Zona Oeste do Recife, canções vêm sendo criadas e ganhando o mundo pelas caudalosas redes internéticas. Discretamente, mas com uma identidade sonora e musical marcante, o selo Pé-de-Cachimbo Records tem no seu home studio um verdadeiro oásis da música independente local.

Sob o comando do músico e produtor D Mingus, o Pé-de-Cachimbo já deu cria a discos, singles e EPs de artistas da cena local contemporânea que enxergam no modo de produção com recursos próprios e na facilidade das plataformas digitais uma forma de driblar o mainstream e fazer escoar sua produção.

Home studio no “quarto de trás” é onde nascem os trabalhos produzidos pelo Pé-de-Cachimbo (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Tudo começou entre 2009 e 2010, quando D Mingus, ainda morando no Derby, resolveu gravar seu primeiro CD solo, Filmes e Quadrinhos (2010). Mesmo com parcos recursos tecnológicos e estruturais, ele já havia, desde muito jovem, desenvolvido suas próprias técnicas de gravação caseira. Pôs isso em prática.

Dessa necessidade de viabilizar suas próprias gravações, no modo do it yourself, o selo surgiu como uma possibilidade de agregar outros músicos de sua geração e do seu ciclo de amizades e fazer o registro do que eles vinham criando sob o “carimbo” de uma unidade, que viria a se tornar, então, o Pé-de-Cachimbo Records.

Os traços de Ganjja Pessoa transcendem a superfície

“Eu sentia a necessidade de lançar coisas do pessoal. Eu gostava muito do trabalho da galera. Então, foi uma opção de escoar isso, de alguma forma”, conta D Mingus. “Dessa geração da qual faço parte, acho que eu fui um dos primeiros que desenvolveu essa coisa de home studio”.

Os quatro solos de D Mingus – Filmes e Quadrinhos (2010), Canções do Quarto de Trás (2012), Fricção (2013) e Saturno Retrógrado (2015) – foram feitos pelo Pé de Cachimbo. Vários outros trabalhos nasceram lá: o primeiro álbum de Graxa, Molho (2013), alguns singles da banda Monodecks, o trabalho Marditu Sounds, duas músicas do disco Bueiragem (2014), de Jean Nicholas, a faixa Podem me deixar, do projeto Apoio Marginal, de Juvenil Silva, entre outros.

Lançamentos

Da última semana pra cá, o Pé-de-Cachimbo pôs no mundo três novos trabalhos. O mais recente deles foi lançado hoje (segunda, 19): a música Tristeza não Existe, single da cantora e compositora Marília Parente, que está gravando seu álbum de estreia com o Pé-de-Cachimbo.

O lendário músico Flaviola se juntou a D Mingus e, juntos, lançaram o single Sem Tema, na semana passada. A composição, de 1972, é uma parceria de Flaviola e do saudoso Lula Côrtes, e ganhou ares contemporâneos com a produção de D Mingus.

E no último fim de semana, entrou no ar o disco completo da banda Monturo Floral, que terá, também, sua versão física.

Nova fase

Esses lançamentos representam uma oxigenação na trajetória do Pé-de-Cachimbo. “O selo não é novo, mas essa é uma fase nova”, diz Vi Brasil, companheira de D Mingus e sócia dele no selo, que começa a ganhar maior profissionalização.

“No começo, era muito a coisa de instiga, de fazer as coisas como desse, lo-fi, amadora. Agora, a gente está desenvolvendo esse lado mais profissional, estamos começando a vislumbrar isso em termos de manutenção do selo, financeiramente falando”, diz D Mingus, que cuida da direção artística do selo.

Vi trouxe ao selo a visão administrativa, enxergou não só o seu potencial artístico, mas também comercial, fazendo dele um plano de negócios. “Tem muita gente criando musicalmente, querendo gravar, mas sem condições. Acho que esse é um lugar que a gente pode ocupar muito bem, de suprir essa demanda”.

Vi Brasil (esq) e D Mingus (dir) trabalham, agora, numa nova fase do Pé-de-Cachimbo-Records (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

Então, além de apenas gravar os discos, o selo passará a disponibilizar serviços de formalização desse trabalho, como o registro das músicas, inserção nas plataformas digitais, etc.

Outros projetos com a marca Pé-de-Cachimbo estão sendo pensados (alguns já para acontecer): a audição com todo o casting do selo, no próximo dia 5 de abril, em parceria com o Som na Rural; a realização de um palco aberto, com shows de artistas do selo; uma espécie de edital que selecionará bandas iniciantes para ter seu primeiro disco produzido pelo selo; e uma oficina de home studio.

E depois de anos tendo sempre o “quarto lá de trás” como locação do home studio, o Pé de Cachimbo estará de mudança para uma área bem maior da casa.

Onde encontrar Pé-de-Cachimbo Records

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