O poeta assim dizia:

– Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá…
Eu digo que minhas cidades têm encantos, que se começarmos versando, no papel não caberá.
Se eu for contar o que tem Olinda, sou capaz de levar o ano inteiro.
Mas o que gosto mais nesta cidade é quando ouço os clarins anunciando fevereiro.

Recife é um tanto tímida, tal qual a sua vizinha, não traz no nome a beleza.
Assemelha-se com uma irmã distante, adotada pelos italianos como Veneza.
Olinda e suas ladeiras, suas igrejas seculares, mercados e antigos casarios.
Recife e suas lindas praças e pontes, deveria ser a mãe das águas, pois vive cercada por rios.

Memórias de um Recife melhor que ele mesmo

Ambas completam idade nova, são duas belas senhoras, não trazem mais jovialidade.
Carregam em seus ombros as lutas vividas, muitas batalhas sofridas, sempre com vivacidade.
Um belo dia, lá por 1710, um grito em Olinda foi dado, o da República o primeiro.
Recife sempre foi mais comedida, mas era o ponto de entrada para a cobiça do mercenário estrangeiro.

Nassau aqui fez morada, se encantou por nossos ares tropicais, trouxe progresso, fez melhoria.
Sua administração foi destaque no estado inteiro, fez até um boi voar, quanta ousadia!
Olinda e Recife celebram suas riquezas: uma famosa em ladeiras, a outra cantada em seus rios.
Olinda tem a melhor tapioca; Recife tem bolo de rolo, iguaria mais gostosa nunca se viu.

Saudemos as belas senhoras, cidades que encantam, contagiam, quem vem quer voltar.
Do Marco Zero ao Alto da Sé, da Ribeira ao Arsenal, aqui, o verbo mais conjugado é o Amar.

Velha infância: quando pipa era brinquedo e criança era criança

 

Por Ediane Souza

Em “Divagando”, Ediane Souza vaga por suas memórias e por memórias coletivas do recifense, do pernambucano. 

 

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