Conheci a Igreja do Rosário dos Homens Pretos ainda na minha infância. A comunidade de Muribeca dos Guararapes (ou Muribeca Rua) era caminho da minha família naquela época. Muitos anos depois, em uma obrigação de trabalho, finalmente fui levado a saber da importância histórica que tem o cenário ainda hoje precariamente protegido.

Como jornalista, foi incrível perceber que não era mentira inventada pelos meus ancestrais que aquelas pedras eram resquícios do tempo da segregação entre negros e brancos. Afinal, a Muribeca dos Guararapes do início do Século XVI, um dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar de Pernambuco, é uma história ainda quase absolutamente desconhecida.

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Uma das poucas regiões que guardam áreas rurais da segunda maior cidade pernambucana, a Muribeca é conhecida por um lixão desativado, um Aterro Sanitário e um enorme conjunto habitacional e uma longa história de luta por moradia de centenas de famílias que foram obrigadas a sair do Conjunto Muribeca pelo risco de desabamento.

No passado, Muribeca dos Guararapes chegou a possuir cerca de 20 engenhos de cana-de-açúcar, ocasionando uma grande presença de mão de obra escrava africana na localidade. Os escravos eram trazidos de diversos lugares do continente africano (Guiné Bissau, Costa da Mina, Benguela, Congo, Cabinda, Angola e Moçambique), possuíam línguas diferentes, costumes diversos e crenças religiosas particulares de cada povo e região.

Porém, para sobreviver e resistir à dor do cativeiro e à distância de seus parentes e de sua terra natal, os escravos e negros livres tratavam de se organizar em irmandades religiosas católicas, tais como as irmandades do Rosário dos Homens Pretos. Ali, mesmo que disfarçando estarem adaptados à religião católica, conseguiam se organizar e praticar alguns dos seus rituais.

Saiba mais dessa história aqui.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
Av. Min. Marcos Freire, 281, Muribeca dos Guararapes