Eu tenho medo do tempo.

Ele me disse uma vez que se acabaria, mas não foi preciso quanto ao fim.

Confesso que fiquei na dúvida se ouvi certo, pois sou “moco” de um ouvido e “fim” confunde-se com “sim”.

Estou aqui me perguntando se o tempo teria me dado um “sim”.

Mas não solicitei a ele a eternidade nem tampouco a vinda de um momento passado pro agora.

Queria dele apenas o que exijo da vida, dois copos de cerveja na sua companhia e o sentir correndo devagar.

Perguntaria como ele consegue administrar tantos fusos, como ele se sente fazendo o mundo girar e se ele já se imaginou congelando.

Seria deveras constrangedor se o mundo continuasse a girar, mesmo sem a presença do tempo.

Deve ser por isso que ele nunca sequer parou pra pensar.

E essa pressa toda deve ter sido o motivo de sua fala acelerada e sem clareza sobre o “fim”. Ainda acho que ouvi um “sim”.

Na dúvida, amanhã sairei novamente sem relógio para ter a oportunidade de continuar perguntando sobre as horas.

Um dos segredos da felicidade é saber ouvir ‘não’

Diego Garcez é sobretudo poeta, mas encontrou na crônica uma forma de diálogo mais palatável para o mundo das pernas aceleradas. É formado em relações internacionais, empreendedor e entusiasta do Porto Digital, corredor nas horas vagas e pai em tempo absolutamente integral. Facebook: Diego Garcez | Instagram: @garcezdiego

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