Se você mora no planeta Brasil e não estava em coma induzido nos últimos 10 dias, já deve ter percebido que alguma coisa errada não tá certa. ? Com a greve dos caminhoneiros, o país vive dias de escassez de gasolina e comida, além de problemas de abastecimento de gás de cozinha e de medicamentos e falta de transporte. Filas em postos de combustível e gente estocando comida se tornaram parte do cotidiano dos brasileiros. Por essas bandas, não  foi diferente!

Grande Recife: o desabastecimento de combustível em 15 fotos e 1 vídeo

A equipe do PorAqui foi, então, pras ruas do Recife e Região Metropolitana pra checar, in loco, como está a situação em mercados, supermercados e feiras. Passamos também por alguns postos da RMR que encontramos pelo caminho. Esse é o tipo de rolê que a gente não queria estar fazendo, mas é o jeito, né?

Boa Viagem

No Carrefour, tá quase faltando ovo! (Foto: Geraldo Lélis/PorAqui)

Nos três maiores supermercados de Boa Viagem, é visível a pouca quantidade de alimentos, mas alguns produtos estão em falta em todos eles. Batata, cenoura e cebola não são vistos nem no Carrefour, nem no Extra, nem no Wallmart. Macaxeira? Tá tendo! A carne também começa a ficar escassa nas prateleiras, chegando a faltar no Carrefour.

Hits ‘proibidões’ para mais um dia sem gasolina

No posto da Av. Domingos Ferreira, não tem gasolina há uma semana. A previsão de que ia chegar combustível no início da tarde desta quarta (30) encheu os motoristas de esperança: a fila já estava dando uma volta no quarteirão! Segundo um frentista, a fila existe há pelo menos dois dias. Sim, você leu certo: 2 dias!

Camaragibe e Aldeia

Fernando de Lima tem banca no Mercado Público de Camaragibe e acha que a situação está longe do fim (Foto: Tatiana Portela/PorAqui)

No Mercado Público de Camaragibe, os comerciantes reclamam do movimento fraco, mas os produtos em falta são basicamente cenoura, cebola e algumas frutas. Grãos, como arroz, feijão e milho, assim como ovos e carnes, ainda tem bastante. A cebola, artigo de maior escassez, estava sendo vendida por até R$ 10, o quilo.

Já as barracas localizadas na Estrada de Aldeia estão sofrendo, já que adquirem os produtos na Ceasa.  Seu Bezim, que tem um ponto em frente à Escola Internacional de Aldeia, diz que não tem encontrado quase nada para comprar.

Para quem se abastece com produtos locais, está mais tranquilo. É o caso de Cristiane Galdino de Melo, que tem uma barraca no km 5. “Hoje mesmo eu consegui 1.300 bananas e mais coco, macaxeira, inhame, ovos, tudo novinho, entregue por meus fornecedores daqui de Aldeia mesmo”.

Encruzilhada e Espinheiro

Aviso no Extra do Espinheiro (Foto: Mariana Fontes/PorAqui)

Cebola é o item mais difícil de encontrar no Espinheiro e na Encruzilhada.

No Mercado da Encruzilhada, embora hoje não fosse dia de feira (os dias são segunda e terça), os feirantes que mantêm barraca por lá durante toda a semana relataram grande dificuldade de conseguir produtos e reclamaram dos preços. Mesmo assim, o feirante com quem o PorAqui conversou disse que só estava faltando cebola.

Mais à frente, no Supermercado São Luiz, um mercadinho de bairro na Encruzilhada, havia muitas prateleiras de frutas e verduras vazias. A cebola também estava em falta, assim como outros itens de hortifruti, como cenoura, alho, batata, limão, maracujá, abacate, abacaxi. Os ovos também já estavam no fim. Os mantimentos não-perecíveis estavam com bom abastecimento.

No Extra, logo na entrada eles afixaram uma mensagem informando que alguns produtos estão em falta. Lá também não tinha cebola nem batata. Feijão havia apenas do tipo carioca e de uma única marca. Os outros itens da lista constavam nas prateleiras com bom volume e variedade.

O Supermercado Soberano, na Rua Barão de Itamaracá, estava bem abastecido.

Graças e Aflitos

Pão de Açúcar da Rosa e Silva com várias prateleiras vazias. (Foto: Paula Melo/PorAqui)

Na Frutteto, localizada na Rua Confederação do Equador, nas Graças, o PorAqui conversou com Bruno Lima, um dos sócios do hortifruti. Segundo ele, produtos como cenoura, manga, abacate, batata, pinha e outros, que vêm de Petrolina, Minas Gerais e Bahia, estão bem escassos.

Desde quarta-feira da semana estão tendo dificuldades para manter o estoque. Tomate, laranja também estão difíceis de encontrar, mas tem na loja ainda. O quilo da batata, que saía a R$ 3,59, está sendo vendido por  R$ 8,59.

No Pão de Açúcar da Av. Rosa e Silva, faltam feijão, carne, frango, vários legumes, frutas e verduras. No Bompreço localizado um pouco mais adiante, faltam cebola, tomate, batata. Estoque de carne está relativamente remediado.

Nos postos localizados na Rui Barbosa, no início da manhã, as filas iam até a Av. Beira Rio, mas a situação melhorou um pouco no início da tarde.

Olinda

Feirante teve que jogar frutas fora, pois estragaram depois de ficarem presas no bloqueio (Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui)

No Mercadinho BomBarato, na Avenida Joaquim Nabuco, as frutas que dependem da Ceasa começam a faltar. Café também. Já na barraca de frutas na Joaquim Nabuco, os feirantes estão revoltados, pois o dono da Ceasa apareceu na TV ontem, terça, dizendo que estava tudo bem. Só que não! Foram lá hoje e não tinha nada. É o que dizem eles.

Segundo os feirantes ainda, um fornecedor teve que jogar 500 caixas de pinha fora, pois estragaram por conta do bloqueio dos caminhoneiros.

Parnamirim e Casa Amarela

Prateleiras vazias no Pão de Açúcar do Parnamirim. Situação é a mesma nas Graças. (Foto: Maria Carolina Santos/PorAqui)

O dia parecia promissor: antes das 8h o carro do ovo já circulava pelas ruas de Casa Amarela, depois de uma semana de silêncio. Os 30 ovos custavam os mesmos R$ 10. Mas a boa impressão sobre o dia logo desapareceu na feira livre do bairro.

“Quem tiver com prisão de ventre, que tome laxante! Mamão não tem!”, gritava um feirante. E não tinha mesmo. Nem batata inglesa. Tomate e cebola eram poucos, e muitas barracas estavam vazias. A cebola, que na semana passada custava R$ 4,50 o quilo, passou para R$ 7.

Muitas barracas vazias n Feira de Casa Amarela (Foto: Maria Carolina Santos/PorAqui)

Cebola e batata inglesa viraram artigos raros. Nem no Extrabom da Estrada do Arraial, nem no Bompreço de Casa Amarela, nem no Pão de Açúcar de Parnamirim foi possível encontrar tais iguarias.

Os postos de gasolina continuaram com longas filas. No posto Shell que fica na esquina da Rua da Harmonia com a Estrada do Arraial, a gasolina sai por R$ 4,59 o litro e uma média de quatro horas espera.

Piedade e Candeias

Foto: André Soares/PorAqui

Os mercadinhos menores  ainda estão sem abastecimento de frutas e verduras. Mas Candeias e Piedade têm três grandes mercados de rede: Wallmart, Extra e Pão de Açúcar, onde o abastecimento de alimentos está ok. Na feirinha de Candeias,  esta semana não tem fruta e nem verdura.

Dois postos em Candeias estão abastecendo: segundo os clientes, demoraram de 40 minutos a 1h para abastecer, agora às 14h.

Gás também não tem. Ligamos pra vários fornecedores em Jaboatão. Há relatos de gente cozinhando com carvão!

Setúbal

Foto: Suzana Souza/PorAqui

Em Setúbal o abastecimento dos mercados do bairro, na porção de Setúbal mais próxima ao aeroporto, está praticamente normal. No Mercado Confiança, da Rua Camboim, os itens que estão em falta são apenas algumas frutas e verduras (tem tomate, cebola e batata).

No Mercadinho do Terminal de Ônibus, da Rua Copacabana, também está tudo certo. Já no Supermercado Trevo, da Barão de Souza Leão, mais alimentos estão em falta: não tem banana nem mamão, de resto, tudo ok. Carne e frango estão sendo vendidos em todos os locais.

O posto Shell da Av. Des. José Neves, 211, estava com uma fila quilométrica no início da manhã: começava perto do Carrefour de Boa Viagem e emendava com a fila do Posto Tiradentes, da Barão de Souza Leão. Quase 1km de fila!

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