A realização de uma Copa do Mundo de Futebol Feminino por si só é um evento digno de celebração. Acompanhar uma competição mundial protagonizada por mulheres em um esporte surrupiado pelo gênero masculino, é ter o privilégio de assistir uma revolução com os pés que quebra paradigmas na história do jogo mais popular do planeta.

Isso porque o simples direito de jogar futebol foi negado por décadas às mulheres. O que hoje em dia pode soar absurdo, era a mais pura realidade até um dia desses. No Brasil, o futebol feminino foi proibido por lei até 1979. O que deveria ser um direito de todas, era visto com preconceito pelas autoridades.

Leia artigo do historiador Fábio Franzini que conta com detalhes a história da proibição do futebol feminino no Brasil.

Por décadas o futebol feminino se tornou um jogo clandestino.

Movimentos de repressão política à prática da modalidade no Brasil e no mundo culminaram em uma dívida histórica com o futebol feminino, cortando pela raiz uma onda que vinha se popularizando de forma significativa. Subversivas, por décadas as mulheres tiveram que driblar o conservadorismo jogando escondidas.

O londrino Britsh Ladies (1894) é considerado o primeiro time feminino de futebol da história.

Atualmente a visão sobre o futebol feminino continua desleal. Enquanto a Copa Masculina pausa o mundo e reúne nações em torno de uma única competição, a versão feminina tem a sua narrativa abafada pela mídia esportiva tradicional, consequentemente invisibilizada também nos botecos, na fila do pão ou no quebra-gelo do elevador.

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Apaixonado pelo torneio internacional e pela abertura que o PorAqui proporciona na busca por novos olhares sobre um mesmo tema, compartilho abaixo alguns fatos sobre a Copa do Mundo de Futebol Feminino que acontecerá em junho de 2019. Pode preparar o bolão que só faltam 325 dias.

A Seleção Francesa será anfitriã da oitava edição da Copa Feminina. (Foto: Jean Francois Monier/AFP)

O campeonato será realizado na França. Sim, após a copa conquistada pela seleção de Kylian Mbappé em cima da Croácia, a nação europeia permanecerá nos holofotes do futebol mundial. A Copa do Mundo de Futebol Feminino acontecerá pela primeira vez no país e os jogos acontecerão em onze cidades diferentes.

Enquanto a versão masculina do torneio internacional já foi realizada 21 vezes, a Copa Feminina chega a oitava edição, tendo iniciado no ano de 1991, em competição que teve como país sede a China. A edição mais recente aconteceu no Canadá, em 2015.

Abby Wambach e sua esposa Sarah Huffman se beijam em comemoração de título dos EUA na Copa passada. (Foto: Elaine Thompson – AP Photo/Elaine Thompson)

A seleção dos Estados Unidos é a atual campeã mundial. A equipe é a que mais ganhou a Copa Feminina, tendo vencido o torneio internacional em três oportunidades. Além de se garantirem dentro de campo, as atletas estadunidenses também protagonizam batalhas políticas fora de campo em prol da igualdade de gênero no esporte.

Ettie, a mascote da Copa da França.

“Le Moment de Briller” é o slogan da Copa ano que vem. Traduzida para inglês como “Dare to shine (Ouse brilhar)”, a frase busca representar a evolução mundial do futebol feminino no país. A personagem Ettie também já foi divulgada como a mascote da Copa. Segundo criadores, ela é filha de Footix.

O Brasil na Copa

A Seleção é heptacampeã da Copa América. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

A Seleção Brasileira Feminina nunca ganhou uma Copa do Mundo. Apesar da supremacia no futebol sul-americano conquistando sete edições da Copa América em oito realizadas, as brasileiras ainda não sentiram o gosto da vitória. O melhor resultado até então foi o segundo lugar na Copa da China em 2007, perdendo a final para Alemanha.

Sete vitórias seguidas classificaram o Brasil. Após campanha impecável na Copa América as brasileiras conseguiram o direito de jogar a Copa do Mundo da França e também os Jogos Olímpicos de 2020, no Japão. A equipe venceu todas as partidas do torneio e a atacante Bia Zaneratto (1993) foi a vice-artilheira da competição com 6 gols.

Vadão é o treinador das brasileiras. Revelação do início dos anos 1990 quando comandou o Mogi-Mirim, equipe masculina que ganhou o apelido de “Carrossel Caipira” em referência ao time holandês protagonizado por Cruyff, o técnico já esteve à frente da Seleção Feminina nos Jogos Olímpicos de 2016.

Emily Lima foi demitida do comando da Seleção Brasileira em 2017. Jogadoras apoiaram a treinadora. Foto: BRUNO KELLY/ ALLSPORTS

Vadão retornou ao cargo após repentina demissão da treinadora Emily Lima, primeira mulher a comandar Seleção Feminina após décadas de domínio masculino. As jogadoras defenderam a permanência da treinadora. Na época, a Rainha Marta discordou da decisão da CBF e alegou que Emily não “teve tempo para trabalhar”. A treinadora só passou 10 meses no cargo.

“Ídola” nacional, Marta tem mais gol que Pelé pela Seleção.

Recém-nomeada embaixadora da ONU Mulheres em prol da Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, a alagoana Marta é a maior artilheira da história das Copas do Mundo de Futebol Feminino com 15 gols marcados. Ela também se tornou a maior artilheira da história da Seleção Brasileira (masculina e feminina) com 101 gols, deixando para trás Pelé que tem 95 gols.

Eleita a melhor jogadora do mundo pela FIFA por cinco vezes seguidas (2006-2010), Marta é considerada a maior futebolista de todos os tempos. Atualmente jogando pelo Orlando Pride, a atleta busca conquistar pela primeira vez o título mundial na França ano que vem.