Viúva do músico Naná Vasconcelos, Patrícia Vasconcelos mostrou indignação com a decisão da Prefeitura do Recife de transferir a tradicional Encontro das Nações de Maracatus da abertura do Carnaval para a quinta-feira (8 de fevereiro) da semana pré-carnavalesca. Através do site do percussionista, ela divulgou uma carta escrita de Nova Iorque.
“A História foi escrita por meu Amado Naná, nada nem ninguém irá apagar, inclusive está indo para livros didáticos o que poucos sabem ou simplesmente não alcançam. Lamento pelos Mestres das Nações, Lamento! Pelos Batuqueiros que com os seus Baques deram vida ao espetáculo, Lamento! Pelo palco que ficará vazio de Emoção Verdadeira, sem pretensão!”, diz.
Foto: Divulgação/Naná Vasconcelos

No seu site, a Prefeitura do Recife diz que a escolha da noite do Encontro dos Maracatus foi feita em comum acordo com as agremiações, após uma rodada de negociações concluída na última quarta (3 de janeiro), em que a data inicial proposta pela Prefeitura da Cidade do Recife foi o Sábado de Zé Pereira (10 de fevereiro).

A noite da sexta-feira (9) será dividida em três grandes atos e aberta pelo espetáculo O Frevo do Mundo, que será seguido por apresentações dos homenageados do Carnaval: Nena Queiroga e Jota Michiles. Assinado pela Prefeitura da Cidade do Recife através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife, em parceria com o Quinteto Violado, O Frevo do Mundo vai contar a história do ritmo em seu passado, presente e futuro.

Conduzido pelo Quinteto e pela Orquestra do maestro Duda, o espetáculo vai levar ao palco grandes nomes da nossa folia como Antônio Nóbrega, Spok, e Banda de Pau e Corda.

Leia a íntegra da carta de Patrícia Vasconcelos:

Pela Permanência dos Maracatus na Abertura do Carnaval do Recife

Venho por meio desta expressar a minha Tristeza e Indignação com a EXCLUSÃO das Nações de Maracatu da Abertura do Carnaval do Recife. Naná Vasconcelos entre outras coisas foi responsável pela maior manifestação cultural ocorrida no Estado de Pernambuco nos últimos tempos, solitário na sua luta, não deixou o Baque Cair, com muita Dignidade, Maestria e Sabedoria, Sabedoria, com S maiúsculo, essa que falta aos responsáveis por essa exclusão social, por essa Desconstrução Cultural que estar acontecendo.

A História foi escrita por meu Amado Naná, nada nem ninguém irá apagar, inclusive está indo para livros didáticos o que poucos sabem ou simplesmente não alcançam. Lamento pelos Mestres das Nações, Lamento! Pelos Batuqueiros que com os seus Baques deram vida ao espetáculo, Lamento! Pelo palco que ficará vazio de Emoção Verdadeira, sem pretensão! 

Entrega total, todos preparados para a sexta-feira mágica! Magia que encantou, magia que fez Naná flutuar no palco de tão leve que essa música o deixava. Magia de uma preparação para uma verdadeira CELEBRAÇÃO de uma tradição construída com muita Luta e Determinação, uma verdadeira celebração! 

Celebrar a Abertura do Carnaval para Naná era compartir, agregar, deixar o outro ser visto como protagonista da Festa e todos se sentiam assim, não existia um, existia um Todo. Um todo que agora deve se contentar com a quinta-feira para não sair de vez. Retirada Estratégica!

Patrícia Vasconcelos
New York
03 de janeiro de 2018