Há três anos uma voz feminina ecoa nas disputas das quadrilhas juninas do Recife. Adriana Alves, a Drika Alves, marcatriz da Origem Nordestina, do Morro da Conceição, é a única mulher a comandar uma quadrilha no Recife atualmente. Por incrível que pareça, em pleno 2018, o fato da voz de comando de uma quadrilha ser feminina ainda provoca incômodos.

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Drika conta que ainda há quem ache que uma mulher não pode marcar quadrilha. Dessa gente, ela não quer nem saber. “Ainda há quem insista em chamar de ‘marcador’, por exemplo, mas também tem muita gente que gosta e elogia”, conta. O público, por exemplo, aprova. “A plateia admira, principalmente as mulheres”, diz a marcatriz.

Entre os desafios, está a pressão para “gritar como um homem”. Quem já viu a performance da marcatriz sabe que isso ela não faz, e nem precisa fazer. Radialista de formação, com vasta experiência no teatro, ela conquistou o seu espaço com estilo próprio e carisma.

Drika participa do movimento junino desde 2005. Começou como brincante e interpretou papéis importantes nas tramas das quadrilhas por onde passou até o surgir o convite da quadrilha Origem Nordestina para marcar pela primeira vez, em 2016.

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A marcatriz narra, anima e interpreta durante as apresentações (Foto: Facebook/Reprodução)

“O espetáculo contava a história de uma mulher que estava à procura do filho e a ideia era que boa parte das funções fossem desempenhada por mulheres naquele ano”, diz Adriana que acabou ficando conhecida pelo nome da personagem. “Até hoje tem quem me chame de Zefinha”, conta.

Para quem não está familiarizado, muito mais do que “alavantur” e “anarriê”, o marcador é uma função extremamente valorizada nas disputas juninas, constando inclusive entre os critérios de julgamento nas competições. Voz de comando, o seu papel é animar, levantar a quadrilha e narrar a história.

No ano passado, além de marcar o desfile da Origem Nordestina, ela também interpretou o papel da noiva. Aliás, este ano, a agremiação introduz um tema inovador nos festejos juninos: os orixás. No lugar do tradicional casamento matuto, o público verá a encenação do casamento de Oxum.