Chega pra palhoça!

Abram-se os arraiais que o povo junino quer entrar em cena!

Quero o cheiro do milho verde, da canjica e da pamonha.

Quero fartura de verdade, com tudo aquilo que a gente sonha.

Quero o arder nos olhos vindo das labaredas da fumaça.

Quero vinho, quentão, cerveja e cachaça.

Quero o céu iluminado, o terreiro todo enfeitado.

Quero o povo todo dançando, num arrasta-pé arretado.

Quero um cheiro do meu preto, o seu fungado no meu cangote.

Quero-o todo derretido qual manteiga, só de olhar o meu decote.

Quero ouvir o chape-chape no chão batido, o arrasto do chinelo.

Quero o canto do meu povo, o falar arrastado, o sotaque mais belo.

O guia das festas de São João no Recife e Região Metropolitana

É bonito ouvir uma viola, o sertanejo de raiz até que é bom.

Mas nordestino gosta mesmo é da sanfona, dos oito baixos de um acordeom.

Quero ver o colorido dos vestidos de chita, o bigode fajuto no matuto.

Mas não quero cigarro de palha, fumo de rolo ou charuto.

Quero meu amado vestindo camisa xadrez e eu com saia rodada.

Quero dançar com ele numa palhoça, xaxando e dando umbigada.

Quero o barulho dos fogos, o reinventar das quadrilhas.

Sem o modismo das guitarras, mas com o Rei do Baião como trilha.

Quero os santos juninos todos num só enredo.

Quero reverenciar todo este povo nordestino.

Cabra da peste desde menino, que de ser feliz não tem medo.

 

Por Ediane Souza

Em “Divagando”, Ediane Souza vaga por suas memórias e por memórias coletivas do recifense, do pernambucano. 

 

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