Há quatro anos, Geraldo Dias, diretor e ator teatral, dirige no Pátio da Bandeira do Monte dos Guararapes, a céu aberto, a Paixão dos Guararapes. São 120 trabalhadores voluntários envolvidos, divididos entre 40 e 45 atores, e 80 figurantes que se revezam para auxiliar a produção. O evento acontece entre os dias 29 e 31 de março, a partir das 19h. A entrada é franca.

Anualmente, são três mil pessoas, por dia de apresentação, para conferir a adaptação dos últimos momentos, segundo a liturgia, de Jesus Cristo. O Monte dos Guararapes foi o local escolhido por todo contexto histórico do local e estrutural para realizar o espetáculo. “A nossa interpretação é em cima do viés revolucionário. Como ele mesmo diz, foi o Cristo que não veio trazer a paz, e, sim, a espada. Ele rompia com a sociedade da época para trazer as mensagens de amor, caridade e paz”, explica Geraldo.

Parte da equipe de produção | Foto: André Soares/PorAqui

A produção para o espetáculo tem início no final de novembro, quando ainda estão sendo realizadas as parcerias para apoios e patrocínios. O cenário é quase todo construído artesanalmente com materiais recicláveis. “Utilizamos isopor, saco de cimento, cola, grude, etc. Evitamos que, o que seria lixo, esteja espalhado pelas ruas para transformar em objetos cenográficos”, justifica. Os tronos, paredes, mesas, espadas e até enxertos de cena, são arquitetados. Para a montagem, são necessários 30 dias de trabalho.

História

Há cinco anos, Geraldo foi convidado para dirigir a Paixão numa cidade da Mata Norte, mas pela proximidade do evento, não achou viável. No ano seguinte, resolveu realizar no seu próprio município, mas a falta de aporte financeiro faz com que o grupo caminhe, anualmente, uma via crucis coletiva.

Geraldo Dias dirige a Paixão dos Guararapes há quatro anos | Foto: André Soares/PorAqui

“A Paixão custa R$ 196 mil reais. Temos apoios institucionais que auxiliam, mas não é suficiente ainda. A Prefeitura dá todo apoio institucional de sonorização, iluminação, limpeza do terreno e segurança. Este ano fizeram uma engenharia elétrica para poder levar os olhos do público apenas aos pontos de encenação”, explica.

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O grupo também tem apoio financeiro de outras empresas e parcerias que fornecem lanches e montagem de cenário, mas, segundo Geraldo, ainda não é o suficiente. “Um dos nossos atores vem andando de Marcos Freire (Conjunto Habitacional) só para auxiliar e ensaiar aqui. Levi, o ator que interpreta Barrabás, acabou de chegar para ajudar a ligar a bomba d’água. Gostaríamos de ver esse mesmo envolvimento por outros órgãos”, conta.

Carruagem faz parte da cenografia da Paixão | Foto: André Soares/PorAqui

Mas segundo Geraldo, o evento é todo realizado com 80% do valor total, em investimentos da própria equipe. Não foram contemplados no edital Pernambuco das Paixões, do Governo de Pernambuco, e mesmo assim, encararam realizar a Paixão dos Guararapes.

“Costumamos chamar o grupo de apaixonados. Tem que ter muita paixão pra fazer a Paixão. Pela arte, pelo amor, pelos aplausos, pelos risos e pelas lágrimas no rosto do público. Quando a gente olha aqui de cima e enxerga as pessoas emocionadas, pagou tudo”, finaliza Geraldo.

Paixão dos Guararapes
29,30 e 31 de março | 19h
Monte dos Guararapes
Gratuita