Mesmo com o dia chuvoso, Felipe nos recebeu na praça do Jordão com sorriso no rosto e nos levou para dar um rolê no bairro que carrega no nome e em boa parte das suas composições.

Em agosto de 2017 a Assembleia Legislativa do Estado aprovou a lei nº 16.044/2017 que oficializa legalmente o brega como expressão artística pernambucana. Para entender mais sobre o movimento, o PorAqui foi até o bairro do Jordão e conversou com o MC Felipe do Jordão sobre sua trajetória e as perspectivas de carreira de um MC iniciante.

Chegando lá, fomos recebidos por Felipe com um sorrisão. Mesmo debaixo de chuva, aceitamos o convite dele para caminhar pelo bairro no qual viveu boa parte de sua história “Fazem seis meses que moro no UR-10, mas trabalho por aqui e sempre dou um jeito de ficar por aqui”, comentou.

Foto: André Soares/PorAqui

Bregafunk como oportunidade

Com apenas dois anos de carreira, Felipe viu no batidão a oportunidade de se entrosar com o movimento e ganhar visibilidade. Logo chegou a contar com o apoio da mesma produtora local do MC Elvis, mas preferiu seguir independente devido a divergências pessoais com o produtor.

Apesar de iniciante, já emplacou parceria com dois dos MCs de maior destaque no bregafunk. Tocha se surpreendeu com a beleza de “Musa Negra” enquanto presenciava Felipe gravar a música e logo pediu parceria. Já Elvis se dispôs a comprar “Linda demais”, mas Felipe revelou não vender suas letras “de jeito nenhum”. Logo, optaram pela parceria. Juntas, as duas músicas acumulam mais de 230 mil visualizações só no youtube.

Música

Foi de forma trágica que a música apareceu na vida do jovem do Jordão. Após um amigo muito próximo falecer num acidente de moto, Felipe encontrou na música a possibilidade de externar e ressignificar sua dor. “Saudades Elvis”, sua primeira composição, marcou sua história, tanto quanto a perca do amigo, já que a partir de então não parou mais de escrever.

As referências musicais são evidentes: o funk paulista de Duda do Marapé, Cidinho & Doca e, principalmente, do MC Felipe Boladão, são ressignificados nos versos do pernambucano. Nascido Anderson Felipe Barros, ele inclusive confessa ter optado pelo segundo nome como vulgo artístico justamente por admiração ao MC da baixada santista, assassinado em abril de 2010: “Ele foi quase um professor pra mim”.

Perspectivas com a música

Hoje, com 21 anos, um largo sorriso estampado no rosto e muita facilidade em compor, não se deixa abalar pelas dificuldades.

Após largar o ensino médio para trabalhar numa empresa de telecomunicações e poder gerar alguma renda em casa, Felipe enxerga na música a possibilidade de criar um horizonte melhor para sua mãe que, sozinha, batalha até hoje pra sustentar ele e dois irmãos mais novos.

“Eu não quero ser igual a ninguém, mano. Quero fazer o meu, crescer com meu esforço e um dia poder voar livre”, afirma.

Texto e reportagem de Igor Marques