“Motorista, na Esquina 40 desce, viu” é um dos mantras sonoros que provavelmente só é (foi) ouvido por quem utilizou os transportes complementares de Piedade e Candeias, no Jaboatão dos Guararapes. No muro de uma casa, em plena avenida Ayrton Senna, a artista plástica potiguar Maraçane de França (67) instalou residência e leciona, no local, há 26 anos, belas-artes para crianças, jovens e adultos.

“Sou de Natal, mas sempre vinha veranear nessa mesma residência. Gostava de pescar e fazer jangada com tronco de bananeiras. Com 20 anos me casei, fui morar no Rio de Janeiro e depois na Espanha”, lembra a artista, que cresceu observando as práticas de pintura de seu pai, que além de professor de matemática, possuía a verve artística.

Trabalhos recentes de Maraçane | Foto: André Soares/PorAqui

Aos 25 anos já ensinava para crianças da Escolinha de Arte do Recife, na rua do Cupim, nas Graças. Deu aula nos primeiros anos do Aria Social, da bailarina Cecília Brennand.

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Alfabetização

Em 1992, inaugurou no mesmo local, um atelier para continuar uma de suas maiores paixões: lecionar. O processo de urbanização do bairro de Piedade fez com que a busca pelo aprendizado também crescesse. O nome do centro cultural não é o número da casa. É uma homenagem que seus filhos fizeram ao completar 40 anos de idade, mesma época em que iniciou as atividades.

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O espaço oferece diversos cursos de introdução e especializações em artes plásticas. São ofertadas aulas básicas gratuitas para escolas públicas e até para estudantes de arquitetura. “No curso de alfabetização das artes visuais, fazemos o aluno levar o sentimento para o papel. Se ele escreve a palavra casa, ele pode desenhá-la”, explica a dinâmica, e ressalta a importância de aprender desde cedo, para trabalhar um universo sem conceitos fechados.

“Na música, as pessoas vendem álbuns, shows e têm contato com o público. No cinema e teatro também é a mesma coisa. Mas nas artes plásticas, o artista faz seu quadro e pendura numa galeria. Quando morei em Madrid, em todo bairro tinha um centro cultural que também oferecia escola para todas as idades e estilos artísticos. A falta disso se perde muito na humanização e relações com você mesmo, sociedade e projetos. Isso falta muito em Pernambuco e, pontualmente, em Jaboatão”, conta.

Obra de Maraçane de França | Foto: André Soares/PorAqui

O local também é utilizado por parceiros, como o SESC, que habitualmente ocupa o espaço como galeria de arte para exposições e funciona quase como uma brigada de luta pela imortalidade e reconhecimento das artes na cidade.

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Avenida Ayrton Senna, 790 – Piedade
☎ 
(81) 3474-9171