Há 20 anos, um grupo de mulheres reúne-se, diariamente, num pequeno espaço na área urbana do conjunto Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, denominado Centro de Saúde Alternativa da Muribeca CESAM, para o cultivo e fabricação de remédios fitoterápicos. Giselda Alves, Carmelita Pereira, Arnaílda Ferreira, Geane Virgínia, Severina Souza e Marluce Santana tornaram-se referência no mundo, quando em 2006, foram à Holanda apresentar a experiência.

“Éramos todas da igreja católica daqui e nos reuníamos para praticar exercícios e falar de saúde. Com a precariedade do nosso posto de saúde, que só funcionava até meio-dia, a solução foi partilhar o que aprendemos para resolver o básico, como gripes e resfriados”, lembra Giselda.

O primeiro composto experimentado pelo grupo, que iniciou o projeto com 30 mulheres, foi para resolver problemas de calvície. Com o tempo, os produtos foram sendo aprimorados.

A dificuldade financeira, que as impossibilitava de comprar as panelas e materiais adequados, fez com que o grupo mobilizasse a congregação, por meio de um padre holandês locado no bairro, para adquirir panelas de barro através de rifas.

Terra Produtiva

Para aperfeiçoar ainda mais o trabalho do coletivo, os frequentadores da igreja, através do intermédio de diversas pessoas, conseguiram a doação do terreno, onde até hoje fica a casa do CESAM. “Era uma terra improdutiva, cheia de concreto e coisas de demolição. Refizemos todo o solo com material orgânico para começar a plantar”, explica Giselda.

Com o tempo, o Centro Nordestino de Medicina Popular, através do Dr. Celerino Carriconde, e pesquisadores da UFPE, aproximaram-se da iniciativa e fortaleceram o projeto através da troca de conhecimento com farmacêuticos, agrônomos, especialistas em economia solidária e gestores financeiros.

“Essas parcerias nos ensinaram também a importância de estarmos ligadas às políticas públicas de saúde e a importância dos conselhos locais, municipais e estaduais”, explica Carmelita.

Pomada de Melão de São Caetano | Foto: Facebook

Medicina

Depois do composto para queda de cabelos, o lambedor e outro à base de sementes para fortalecer os ossos foram o ponto de partida.

Durante os primeiros encontros e consultorias, foi decidido que trabalhariam com dois broncodilatadores, expectorantes e e sabonete de melão e arruda, para problemas na pele e piolho.

Também foram incorporadas pomadas para dores nas articulações, cicatrizantes, varizes de hemorroida e rachaduras nos pés. Os produtos foram decididos de acordo com a necessidade dos moradores da região e as plantas do local.

Foto: André Soares/PorAqui

O grupo possui uma tabela de remédios naturais e alegações (para qual problema podem ser utilizados) com cerca de 50 medicamentos, que vão de ações cicatrizantes e anti-inflamatórios a medicamentos contra hipertensão e reumatismo.

“Esse trabalho é muito importante para nós. Somos donas de casa e estamos à margem de um trabalho convencional. Isso faz a gente se sentir viva, não só por causa da idade, mas também por ajudar na carência de médicos em Muribeca”, conta Giselda, que salienta a idade das suas companheiras: entre 50 e 70 anos.

CESAM – Centro de Saúde Alternativa da Muribeca
Rua 4, Quadra 3, nº 2000 – Conjunto Muribeca
(81) 3377-0483