No cenário litorâneo repleto de barcos de pesca, na praia de Candeias, no Jaboatão dos Guararapes, foi descoberto na década de 80, uma embarcação repleta de louças (pratos, xícaras, canecos, travessas, jarros e bacias), tijolos, garrafas de vinho e outros objetos. No início, o pescador, que teve sua linha torada, pensou tratar-se de um enorme peixe. Mas com a ajuda de mergulhadores profissionais, descobriu ser os restos do naufrágio do navio Alfama de Lisboa.

Histórias da orla de Jaboatão dos Guararapes

O acidente aconteceu em 1809, a uma distância de quatro quilômetros da costa e, até hoje, parte dos objetos ainda se encontram numa profundidade média de 10 metros. O galeão, tipo de embarcação de carga, saiu da capital portuguesa em direção à Inglaterra e teria, como ponto final, Pernambuco.

A primeira peça encontrada foi um sino dourado. Posteriormente também foram identificadas louças compostas de pó de pedra, pratos e travessas de origem inglesa, além de cuias, canecos, xícaras e bacias portuguesas.

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Os mergulhadores Carlos Sarmento e Fred Ozanã, que realizaram a primeira incursão de reconhecimento, declararam em publicação no site Naufrágios do Brasil que passaram 40 dias imersos nas pesquisas. Não demorou muito até que o barco virasse atração turística do bairro para os adeptos da prática náutica. A descoberta da embarcação é creditada ao pescador profissional Carlos Vilar.

Segundo informações da página virtual Naufrágios PE, o estado de Pernambuco acumula mais de 100 afundamentos ao longo de 187 quilômetros de costa.

A história sobre o Alfama de Lisboa, popular entre os pescadores locais e pouco conhecida pelos moradores de Candeias, está disponível no livro ‘Jaboatão: Histórias e Lutas’, do historiador Adriano Marcena, e em relatos dos próprios mergulhadores, no Naufrágios do Brasil.